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segunda-feira, 13 de junho de 2011

JUSTIÇA SOCIAL OU JUSTIÇA CRISTÃ?


O cristão deve refletir sobre a necessidade de uma justiça social que reduza a exploração trabalhista e a desigualdade social. 


Quantos trabalhadores tem suas forças e saúde sugadas em subempregos que não lhes dão a garantia nem da sobrevivência familiar, sendo necessário que até as crianças trabalhem para complementar a renda familiar e, após gerar riquezas para seus patrões, são despedidos ou chegam ao final de suas vidas sem ter, sequer uma casa para moradia. Esse quadro não é raro, basta lançar os olhos sobre os trabalhadores da construção civil que constroem prédios e  mansões, mas aposentam-se em um barraco paupérrimo e de aluguel.


A igreja possui uma missão: proclamar o evangelho. Esta missão é acompanhada do imperativo "fazei discípulos". O Fazer discípulos induz ter as mesmas práticas de Cristo. Cristo declarou que foi ungido para "evangelizar os pobres [...], proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para por em liberdade os oprimidos".


O evangelizar não pode estar desassociado da missão de libertar os oprimidos, de amparar os pobres, de fazer justiça, não só a pessoal, mas também a justiça social.


Identificamo-nos, hoje, com o quadro vivido por Neemias, o qual encontrou homens instruídos nas Leis do Senhor, mas que praticavam a injustiça da escravidão, símbolo do egoísmo máximo, pois hoje muitos são aqueles que conhecem as sagradas escrituras, porém exploram a mão de obra do pobre. Acham pesado assalariar seus prepostos, mas esbanjam com o luxo e a vaidade.


Poucos são aqueles que estão dispostos a fazer como Neemias, abrir mão do "direito que lhe assiste" para não oprimir ainda mais o fraco e necessitado.


Vejo que o mais deprimente não é a injustiça do ímpio, mas a injustiça dos salvos que estão debaixo da graça de Deus e cometem a injustiça com o próximo enquanto deveria se constituir o defensor da justiça, segundo o discipulado de Cristo.



Andre Schroder

domingo, 11 de julho de 2010

Como ser "apaixonado" por Deus?





Nutrir paixão por Deus Pai, Filho e Espírito Santo, é, em razão da
simpatia, afeição e amor inicial, nutrir um desejo de proximidade
constante do Deus Trino, de modo que seja suscitado, diuturnamente, o
desejo de conhecimento do caráter, dos sentimentos e das ações, de
tal modo que leve a um desejo de identidade [tornar-se igual], a fim de
dedicar-se e praticar o que agrada a Deus, de modo tão intenso que
crie um sentimento de dependência.


Portanto, a verdadeira
paixão por Deus é capaz de produzir a “sede por Deus” e a
mortificação do eu, para que, como Paulo, possamos dizer: “Estou
crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo
vive em mim”.


Ó
Deus, tu és o meu Deus; ansiosamente te busco. A minha alma tem sede
de ti; a minha carne te deseja muito [...]” Salmo 63:1



O Temor a Deus.




Temor,
traduzido do grego, aponta para um sentimento de fobia, porém o temo hebraico
aponta para um sentimento de reverencia, respeito e honra. A temeridade, o
temor, que se deve ter para com Deus é exatamente o temor reverencial que produz
respeito, honra e admiração a Deus por seus atributos, leis, obra e, sobretudo,
por sua soberania e santidade. Portanto, ser temente a Deus é ter um sentimento
de reverência, respeito e reconhecimento de seu domínio sobre todo o cosmos,
principalmente sobre minha própria vida, de tal modo que haja ações de graça, honra
e louvor pela grandeza de seu poderio e benignidade.


"Quem não te temerá, Senhor, e não glorificará
o teu nome? Pois só tu és santo; por isso todas as nações virão e se prostrarão
diante de ti, porque os teus juízos são manifestos
.
" (Apocalipse 15: 4)

sexta-feira, 19 de março de 2010

Viver sob autoridade ou levar a Vida de Servo?

Viver sob autoridade é acatar integral as leis, ordens e princípios que regulam um sistema, conforme são emanados daquele que possui reconhecida legitimidade, competência e poder para gerenciar. É pois,  viver sob o domínio.

No ato da criação Deus reuniu os atributos para exercer autoridade sobre o homem., porém deu-lhe o lívre arbítrio para escolher entre obeder a Deus ou seguir seu próprio caminho.

Ao escolher ser servo, o homem faz a livre opção de obedecer as leis e princípios morais e espirituais revelados por Deus, os quais devem ser seguidos continuamente, dando lugar à vontade de Deus e em substituição à própria vontade humana, para que assim possa viver sob o domínio e santo temor de Deus.

"Por isso, recebendo nós um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor" Hb 12.28.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Espiritualidade é relacionamento.


          A espiritualidade se desenvolve em um âmbito de relacionamento entre o indivíduo e Deus, entre o indivíduo e demais cristãos e entre os cristãos [igreja] e Deus. Muitos priorizam o relacionamento espiritual entre si e Deus, menosprezam o relacionamento entre os irmãos, mas tal atitude é contrária à espiritualidade, pois  “as virtudes cristãs nunca são experimentadas solitariamente”, portanto, a igreja é o campo de prova da espiritualidade. É onde haverá o auxílio mútuo para que todos cresçam, mas também será evidenciado se há uma negação da natureza humana para que sobressaia a vontade de Deus. É onde será revelado “quem sou eu”, “qual a minha espiritualidade”.


          Assim, ao buscar a espiritualidade cristã aderimos a uma aliança de relacionamento com Deus e seus irmãos, onde a principal regra é “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”, para que então sejamos parte do corpo de Cristo.





Eféios 4:11- 13


E ele deu uns como apóstolos, e outros como profetas, e outros como evangelistas, e outros como pastores e mestres, tendo em vista o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo;  até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, ao estado de homem feito, à medida da estatura da plenitude de Cristo;


sábado, 19 de setembro de 2009

A prática pedagógica de Jesus pode iluminar nossos trabalhos educacionais hoje?






A pedagogia de Jesus tem por característica a “prática” – ou práxis – em relevo ao discurso e à fala. Ele não apenas recomenda a prática de seus ensinos como também põe em prática, à vista de todos, a sua graça e sua misericórdia por meio das curas ou defesa dos oprimidos, para que lhes seja devolvida a dignidade e a esperança. O resultado é a exigência de uma religiosidade frutuosa, regada de misericórdia, amor e valorização do ser humano.



Tal pedagogia se manifesta em um ambiente familiar, caseiro, “formado nas coisas da vida, no tempo em que era um simples artesão”, a partir de experiências reais que se manifestam em um contexto de necessidade libertadora.



Ao delinear tal quadro, a prática pedagógica de Jesus se mostra como o melhor exemplo para inspirar uma prática pedagógica da educação secular, porque nos conclama a viver o amor e a tolerância, pois viver como Jesus viveu é compreender e aceitar a cultura do outro para viver o evangelho livre de preconceitos e fundamentado na igualdade entre os homens. Daí dizer que Jesus nos mostra como viver a vida humana plena.



Em Cristo encontramos os fundamentos que as atuais teorias pedagógicas aspiram, pois sua prática pedagógica se estrutura na justiça e na verdade, bases sólidas de valores reais.


André Luiz Gomes Schröder 



A prática pedagógica de Jesus pode iluminar nossos trabalhos educacionais hoje?






A pedagogia de Jesus tem por característica a “prática” – ou práxis – em relevo ao discurso e à fala. Ele não apenas recomenda a prática de seus ensinos como também põe em prática, à vista de todos, a sua graça e sua misericórdia por meio das curas ou defesa dos oprimidos, para que lhes seja devolvida a dignidade e a esperança. O resultado é a exigência de uma religiosidade frutuosa, regada de misericórdia, amor e valorização do ser humano.



Tal pedagogia se manifesta em um ambiente familiar, caseiro, “formado nas coisas da vida, no tempo em que era um simples artesão”, a partir de experiências reais que se manifestam em um contexto de necessidade libertadora.



Ao delinear tal quadro, a prática pedagógica de Jesus se mostra como o melhor exemplo para inspirar uma prática pedagógica da educação secular, porque nos conclama a viver o amor e a tolerância, pois viver como Jesus viveu é compreender e aceitar a cultura do outro para viver o evangelho livre de preconceitos e fundamentado na igualdade entre os homens. Daí dizer que Jesus nos mostra como viver a vida humana plena.



Em Cristo encontramos os fundamentos que as atuais teorias pedagógicas aspiram, pois sua prática pedagógica se estrutura na justiça e na verdade, bases sólidas de valores reais.


André Luiz Gomes Schröder 



O paradoxo da Teologia Prática






Há quem defenda que “a Teologia Prática como caminho torna-se ao mesmo tempo mais urgente e mais remota”. Tal afirmativa encontra fundamento em um contexto social de predomínio do individualismo e da exclusão social daqueles que são menos favorecidos pela [falta de] oportunidades propiciadas por um sistema roto, fruto de uma sociedade capitalista e de consumo, que se consolida discriminatória e elitista face à prática da exclusão pelo exercício da valoração com base no princípio de que o homem/cidadão “vale o que tem”.



Assim, para que tal paradigma social seja rompido, é necessária a prática de uma teologia pastoral que propugne pela justiça e igualdade social, pautada pelo amor Divino, o que equivale dizer que a Teologia Prática se torna mais “urgente”. Porém, a Teologia que é urgente torna-se remota ante a lógica humana que é induzida pelo egoísmo e individualismo, pois torna cada vez mais distante uma prática pastoral que vá ao encontro dos anseios dos excluídos e injustiçados pelo sistema para que se reestabeleça a coesão social.



Em suma, “a Teologia Prática como caminho torna-se ao mesmo tempo mais urgente e mais remota” é o reflexo do dualismo humano já prenunciado por Paulo: “porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço” (Rom. 7:19).


André Luiz Gomes Schröder 



O paradoxo da Teologia Prática






Há quem defenda que “a Teologia Prática como caminho torna-se ao mesmo tempo mais urgente e mais remota”. Tal afirmativa encontra fundamento em um contexto social de predomínio do individualismo e da exclusão social daqueles que são menos favorecidos pela [falta de] oportunidades propiciadas por um sistema roto, fruto de uma sociedade capitalista e de consumo, que se consolida discriminatória e elitista face à prática da exclusão pelo exercício da valoração com base no princípio de que o homem/cidadão “vale o que tem”.



Assim, para que tal paradigma social seja rompido, é necessária a prática de uma teologia pastoral que propugne pela justiça e igualdade social, pautada pelo amor Divino, o que equivale dizer que a Teologia Prática se torna mais “urgente”. Porém, a Teologia que é urgente torna-se remota ante a lógica humana que é induzida pelo egoísmo e individualismo, pois torna cada vez mais distante uma prática pastoral que vá ao encontro dos anseios dos excluídos e injustiçados pelo sistema para que se reestabeleça a coesão social.



Em suma, “a Teologia Prática como caminho torna-se ao mesmo tempo mais urgente e mais remota” é o reflexo do dualismo humano já prenunciado por Paulo: “porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço” (Rom. 7:19).


André Luiz Gomes Schröder 



O impacto da cidade, como espaço religioso, sobre a fé cristã





O ambiente capitalista em que são construídas as novas cidades determina novos valores para os homens. Valores construídos a partir do individualismo, dada a abrangência das múltiplas relações que se tornam superficiais com a ruptura da comunhão pela impossibilidade de se estabelecer tantos relacionamentos quanto o número de pessoas que estão “próximas”, pois nas metrópoles há o alargamento das distâncias entre trabalho-moradia, casa-amizades, igreja-família e outros, o que descaracteriza a vizinhança, desfazem-se as relações primárias e espontâneas, o que desqualifica os amigos, impõem-se as relações secundárias e funcionais, o que cria os colegas e os invisíveis, afetados pela indiferença.


Na prevalência de tal multiplicidade de relacionamentos superficiais cria-se o isolacionismo, pois não há vínculo com o próximo e este se torna um objeto ambulante, dada a falta do vínculo afetivo, daí a indiferença, o narcisismo, a autosuficiência e o egoísmo.


O ambiente urbano contribui para o isolacionismo ao criar espaços cada vez mais coletivos e quando subsiste o espaço individual, é espaço de isolamento. Para atender os espaços coletivos, rapidamente são destruídos os espaços antigos, cultural e religiosamente significativos.


É intrigante a leitura que o Pe J.B Libanio faz sobre o tema em seu artigo “A igreja na cidade”, ao argumentar que :


“a destruição dos espaços tradicionais afetou diretamente a pastoral e o imaginário religioso. O nosso inconsciente é feito de sons e cheiros, de toques e gostos, de visões e sentimentos, percebidos e armazenados. E toda vez que uma tecla os provoca, brotam as experiências passadas. Ora, o inconsciente religioso forma-se, no campo e nas pequenas cidades, com os incensos das igrejas, o dobrar dos sinos, o corte majestoso da igreja paroquial, o murmúrio das preces, o arrastar-se das procissões ao som estridente das bandas, o soar dos órgãos ou harmônios, a voz decidida e preceptiva do vigário. A grande cidade tem o condão de silenciar-lhe todos esses estímulos. Mais profunda ainda se dá a mudança, ao atingir a própria lógica espacial da cidade. Quando se diz vulgarmente que o shopping assumiu o lugar da catedral não se traduz simplesmente uma percepção visual. Revela tal fato a nova lógica espacial da grande cidade que afeta intimamente o universal religioso e de valores das pessoas. Com efeito, a centralidade da igreja matriz da pequena cidade refletia a posição de destaque do Transcendente na vida das pessoas e da sua mediação histórica institucional da Igreja. O shopping desloca o Transcendente religioso para o interior das pessoas, para fora do campo visual, cercando o mercado, a mercadoria, com o esplendor e a beleza, que antes vestiam os ritos religiosos.” (Disponível em: http://www.jblibanio.com.br/modules/wfsection/article.php?articleid=221)



Em um quadro de isolamento coletivo o homem é provocado pelo instinto animal da luta pela sobrevivência, orientado por uma ideologia de sucesso, eficácia, desempenho, competitividade, excelência e qualidade total para ser o melhor, “se lixando” (lembrando a expressão do deputado Sérgio Moraes, homem público que busca o individualismo) pelo que os outros estão passando e acaba por embriagar-se em um consumismo compulsivo, consumismo que comanda os desejos do homem e ocupa o inconsciente da religiosidade. Daí a necessidade de despertar o homem para a lógica da fé que orienta o homem para uma prática cristã voltada para o amor ao próximo, que aniquila a indiferença e o individualismo, pois a lógica do evangelho é firmada no conceito comunitário e de koinonia, o que impõe à prática pastoral um discurso contrário à lógica urbana do individualismo.


André Luiz Gomes Schröder 


O impacto da cidade como espaço religioso sobre a fé cristã






O ambiente capitalista em que são construídas as novas cidades determina novos valores para os homens. Valores construídos a partir do individualismo, dada a abrangência das múltiplas relações que se tornam superficiais com a ruptura da comunhão pela impossibilidade de se estabelecer tantos relacionamentos quanto o número de pessoas que estão “próximas”, pois nas metrópoles há o alargamento das distâncias entre trabalho-moradia, casa-amizades, e outros, o que descaracteriza a vizinhança, desfaz-se as relações primárias e espontâneas, o que desqualifica os amigos, impõem-se as relações secundárias e funcionais, o que cria os colegas e os invisíveis, afetados pela indiferença.



Na prevalência de tal multiplicidade de relacionamentos superficiais, cria-se o isolacionismo, pois não há vínculo com o próximo e este se torna um objeto ambulante dada a falta do vínculo afetivo, daí a indiferença, o narcisismo, a autosuficiência e o egoísmo.



O ambiente urbano contribui para o isolacionismo ao criar espaços cada vez mais coletivos e quando há o espaço individual é espaço de isolamento. Para atender tais espaços coletivos, rapidamente são destruídos os espaços antigos, cultural e religiosamente significativos.



É intrigante a leitura que o Pe J.B Libanio faz sobre o tema em seu artigo “A igreja na cidade”, ao argumentar que :


“a destruição dos espaços tradicionais afetou diretamente a pastoral e o imaginário religioso. O nosso inconsciente é feito de sons e cheiros, de toques e gostos, de visões e sentimentos, percebidos e armazenados. E toda vez que uma tecla os provoca, brotam as experiências passadas. Ora, o inconsciente religioso forma-se, no campo e nas pequenas cidades, com os incensos das igrejas, o dobrar dos sinos, o corte majestoso da igreja paroquial, o murmúrio das preces, o arrastar-se das procissões ao som estridente das bandas, o soar dos órgãos ou harmônios, a voz decidida e preceptiva do vigário. A grande cidade tem o condão de silenciar-lhe todos esses estímulos. Mais profunda ainda se dá a mudança, ao atingir a própria lógica espacial da cidade. Quando se diz vulgarmente que o shopping assumiu o lugar da catedral não se traduz simplesmente uma percepção visual. Revela tal fato a nova lógica espacial da grande cidade que afeta intimamente o universal religioso e de valores das pessoas. Com efeito, a centralidade da igreja matriz da pequena cidade refletia a posição de destaque do Transcendente na vida das pessoas e da sua mediação histórica institucional da Igreja. O shopping desloca o Transcendente religioso para o interior das pessoas, para fora do campo visual, cercando o mercado, a mercadoria, com o esplendor e a beleza, que antes vestiam os ritos religiosos.” (Disponível em: http://www.jblibanio.com.br/modules/wfsection/article.php?articleid=221)





Em um quadro de isolamento coletivo, o homem é provocado pelo instinto animal da luta pela sobrevivência, orientado por uma ideologia de sucesso, eficácia, desempenho, competitividade, excelência e qualidade total para ser o melhor sem “se lixar” (lembrando a expressão do deputado, homem público que busca o individualismo) pelo que os outros estão passando e acaba por embriagar-se em um consumismo compulsivo, consumismo que comanda os desejos do homem e ocupa o inconsciente da religiosidade, daí a necessidade de despertar o homem para a lógica da fé que orienta o homem para uma prática cristã voltada para o amor ao próximo, que aniquila a indiferença e o individualismo, pois a lógica do evangelho é firmada no conceito comunitário e de koinonia, o que impõe à prática pastoral um discurso contrário à lógica urbana do individualismo.


André Luiz Gomes Schröder 



A relação entre Teologia Prática e educação


Tendo por base pedagogia vista como “ciência derivada da ética e coordenada com a política” e a educação como “a direção e prosseguimento do desenvolver do indivíduo pela influência exterior”, onde manifesta ações da família, igreja, ciência e, sobretudo, da comunidade em que está inserido, podemos afirmar que a teologia prática orienta a formação e a prática pastoral para uma interpretação das necessidades da igreja que são vistas não somente pela interpretação dogmática.



Se a educação é centrada na relação do indivíduo com o exterior, podemos afirmar que há uma relação entre o indivíduo e o seu próprio destino, pois pela educação o indivíduo pode atuar sobre suas potencialidades e sobre as possibilidades da realidade de seu mundo exterior, tornando o indivíduo dono do seu próprio destino. Balizada por tal princípio, a educação tem por propósito a busca do caminho que leve ao atendimento das aspirações ou melhoria e satisfação da necessidades dos indivíduos e da sociedade.



A partir dessa visão da educação, a Teologia Prática encontra seu nicho de atuação, não com uma atuação consciente sobre o conhecimento e as relações sociais (nicho da educação), mas sobre a relação espiritual entre Deus e o homem, que ao viver em absoluta dependência de Deus constrói uma nova práxis de relações humanas que acaba por influenciar na vida diária da sociedade e na própria concepção do homem (o que passa a coincidir com objetivos da educação).



Tal concepção pode ser verificada na teoria de Casiano Floristán, também explorado na atividade 03, “toda práxis religiosa tem como objetivo último a transformação de um determinado ser social, que por sua vez transforma a sociedade [o que nos leva a] considerar a tradição cristã como transmissão de práticas e ações. Neste sentido o Cristianismo se configura como comunidade de narração de uma práxis profética e messiânica".



Ronaldo Muñoz diz que “ a Igreja e suas comunidade hão de oferecer às pessoas o espaço e as condições de que necessitam para dizer sua própria palavra, expondo seus problemas, sua visão da vida e da convivência humana, sua fé e esperança. Hão de dar-lhes o espaço de que necessitam para criar e multiplicar seus gestos de solidariedade nas necessidades, no trabalho, gestos que devem antecipar um mundo novo, como sinais da presença do reinado de Deus que alimentam a esperança de sua plenitude futura”. Tal espaço é o espaço da prática pastoral orientado pela Teologia Prática – em redundância – , da práxis da fé.



É nesse contexto de mudança social que surge a conceituação de "fé cidadã" a qual se concretiza na esfera pública, no mundo da política e busca incentivar e possibilitar a vivência de uma espiritualidade que considere a perspectiva política e articule a experiência da fé entre o privado e o público que resulte no exercício da cidadania.



Há, portanto, a comunhão dos objetivos educacionais e da Teologia Prática, vez que para ambos há o interesse em explorar os caminhos que levem ao atendimento das necessidades humanas e sociais, porém o diferencial está na relação transcendente entre o finito e o infinito, explorado pela Teologia prática e ignorado pela educação.



Aproveitando o ponto congruente da fé cidadã e da educação – antes mesmo de se perceber sistematicamente e se consolidar esta visão de seus objetivos – a educação passou a ser parte integrante da estratégia de ampliação e implantação das doutrinas religiosas mediante a ação missionária e instalação de escolas paroquiais, exigindo da ação pastoral, em sentido amplo, uma atuação como educador e como evangelista, tendo na alfabetização o caminho para o pleno conhecimento da Bíblia.



Assim, a estratégia da ação educativa pode ser interpretada como tendo um foco ideológico de proselitismo ao ampliar o alcance do evangelho por meio da inserção de um objetivo indireto em uma congregação com objetivos educacionais e um foco direto ao possibilitar a manutenção e estimulação dos “cultos” patrocinados em torno da comunidade escolar, culminando com o estabelecimento de uma civilização cristã do Reino de Deus.


André Luiz Gomes Schröder 



A relação entre Teologia Prática e educação


Tendo por base pedagogia vista como “ciência derivada da ética e coordenada com a política” e a educação como “a direção e prosseguimento do desenvolver do indivíduo pela influência exterior”, onde manifesta ações da família, igreja, ciência e, sobretudo, da comunidade em que está inserido, podemos afirmar que a teologia prática orienta a formação e a prática pastoral para uma interpretação das necessidades da igreja que são vistas não somente pela interpretação dogmática.



Se a educação é centrada na relação do indivíduo com o exterior, podemos afirmar que há uma relação entre o indivíduo e o seu próprio destino, pois pela educação o indivíduo pode atuar sobre suas potencialidades e sobre as possibilidades da realidade de seu mundo exterior, tornando o indivíduo dono do seu próprio destino. Balizada por tal princípio, a educação tem por propósito a busca do caminho que leve ao atendimento das aspirações ou melhoria e satisfação da necessidades dos indivíduos e da sociedade.



A partir dessa visão da educação, a Teologia Prática encontra seu nicho de atuação, não com uma atuação consciente sobre o conhecimento e as relações sociais (nicho da educação), mas sobre a relação espiritual entre Deus e o homem, que ao viver em absoluta dependência de Deus constrói uma nova práxis de relações humanas que acaba por influenciar na vida diária da sociedade e na própria concepção do homem (o que passa a coincidir com objetivos da educação).



Tal concepção pode ser verificada na teoria de Casiano Floristán, também explorado na atividade 03, “toda práxis religiosa tem como objetivo último a transformação de um determinado ser social, que por sua vez transforma a sociedade [o que nos leva a] considerar a tradição cristã como transmissão de práticas e ações. Neste sentido o Cristianismo se configura como comunidade de narração de uma práxis profética e messiânica".



Ronaldo Muñoz diz que “ a Igreja e suas comunidade hão de oferecer às pessoas o espaço e as condições de que necessitam para dizer sua própria palavra, expondo seus problemas, sua visão da vida e da convivência humana, sua fé e esperança. Hão de dar-lhes o espaço de que necessitam para criar e multiplicar seus gestos de solidariedade nas necessidades, no trabalho, gestos que devem antecipar um mundo novo, como sinais da presença do reinado de Deus que alimentam a esperança de sua plenitude futura”. Tal espaço é o espaço da prática pastoral orientado pela Teologia Prática – em redundância – , da práxis da fé.



É nesse contexto de mudança social que surge a conceituação de "fé cidadã" a qual se concretiza na esfera pública, no mundo da política e busca incentivar e possibilitar a vivência de uma espiritualidade que considere a perspectiva política e articule a experiência da fé entre o privado e o público que resulte no exercício da cidadania.



Há, portanto, a comunhão dos objetivos educacionais e da Teologia Prática, vez que para ambos há o interesse em explorar os caminhos que levem ao atendimento das necessidades humanas e sociais, porém o diferencial está na relação transcendente entre o finito e o infinito, explorado pela Teologia prática e ignorado pela educação.



Aproveitando o ponto congruente da fé cidadã e da educação – antes mesmo de se perceber sistematicamente e se consolidar esta visão de seus objetivos – a educação passou a ser parte integrante da estratégia de ampliação e implantação das doutrinas religiosas mediante a ação missionária e instalação de escolas paroquiais, exigindo da ação pastoral, em sentido amplo, uma atuação como educador e como evangelista, tendo na alfabetização o caminho para o pleno conhecimento da Bíblia.



Assim, a estratégia da ação educativa pode ser interpretada como tendo um foco ideológico de proselitismo ao ampliar o alcance do evangelho por meio da inserção de um objetivo indireto em uma congregação com objetivos educacionais e um foco direto ao possibilitar a manutenção e estimulação dos “cultos” patrocinados em torno da comunidade escolar, culminando com o estabelecimento de uma civilização cristã do Reino de Deus.


André Luiz Gomes Schröder 



A eklesia e o mundo virtual


A cultura virtual busca impor um novo paradigma de “igreja” que foge ao modo tradicional de koinonia, pois estabelece relações impessoais, eletrônicas, de comunidades em que seus membros se expõem parcialmente, segundo critérios preconcebidos de exposição e relação onde prevalece a máscara escolhida pelo personagem, em uma exposição simulada muito mais facilmente que na “vida real” ou “material”, como quer que seja, pois a relação se dá em um ambiente onde se torna mais ocultar a verdade ou a intenção.



O mundo virtual possibilita dinamizar a transmissão da mensagem do “evangelho”, dada sua agilidade, velocidade, baixo custo, alcance e acessibilidade. Para clarificar, apontamos o registro parcial da discussão no site “www.cristianismohoje.com.br”, em que se posiciona: “o que o apóstolo Paulo pensaria a respeito do nosso mundo cibernético: blogs, salas de bate-papo, mensagens instantâneas. Imagine suas cartas para todas as igrejas do Novo Testamento. Em vez de “Carta de Paulo à igreja de Éfeso” ele teria escrito “Os múltiplos e-mails para a igreja de Éfeso”. E em vez de esperar até poder visitar a igreja para resolver um problema ele teria enviado mensagens instantâneas”.



Ocorre que a fé cristã é construída sobre o alicerce da participação individual na vida comunitária, na relação interpessoal pelo vínculo do amor que requer a participação física para o batismo, a celebração eucatística, a comunhão pelo partilhar os sentimentos e sentidos humanos. A comunhão acontece quando as pessoas estão em pequenos grupos ou envolvidas em amizades um a um.



Nesse contexto que trabalhamos nossa fé, somos moldados em amor, paciência, mansidão e verdade. É essencial que o espaço físico da igreja promova isto. Parte do que torna o corpo de Cristo tão único é a reunião e a comunhão dos irmãos. Era verdade nas igrejas do Novo Testamento e continua a ser verdade nas igrejas atualmente.



A Bíblia discorda de quem diz que é possível seguir a Deus sem a comunhão da igreja. As Escrituras nos dizem: “Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns” (Hebreus 10.25). Portanto, a comunhão cristã virtual não pode ser considerada uma alternativa viável para a comunhão nos cultos da igreja. A comunhão cristã virtual certamente pode complementar a variedade da comunhão face a face.



Por fim, temos que a comunhão virtual não promove a práxis da fé em sua completude, pois as expressões do ser humano não podem ser limitadas a um relacionamento mecânico e virtual.


André Luiz Gomes Schröder









A eklesia e o mundo virtual


A cultura virtual busca impor um novo paradigma de “igreja” que foge ao modo tradicional de koinonia, pois estabelece relações impessoais, eletrônicas, de comunidades em que seus membros se expõem parcialmente, segundo critérios preconcebidos de exposição e relação onde prevalece a máscara escolhida pelo personagem, em uma exposição simulada muito mais facilmente que na “vida real” ou “material”, como quer que seja, pois a relação se dá em um ambiente onde se torna mais ocultar a verdade ou a intenção.



O mundo virtual possibilita dinamizar a transmissão da mensagem do “evangelho”, dada sua agilidade, velocidade, baixo custo, alcance e acessibilidade. Para clarificar, apontamos o registro parcial da discussão no site “www.cristianismohoje.com.br”, em que se posiciona: “o que o apóstolo Paulo pensaria a respeito do nosso mundo cibernético: blogs, salas de bate-papo, mensagens instantâneas. Imagine suas cartas para todas as igrejas do Novo Testamento. Em vez de “Carta de Paulo à igreja de Éfeso” ele teria escrito “Os múltiplos e-mails para a igreja de Éfeso”. E em vez de esperar até poder visitar a igreja para resolver um problema ele teria enviado mensagens instantâneas”.



Ocorre que a fé cristã é construída sobre o alicerce da participação individual na vida comunitária, na relação interpessoal pelo vínculo do amor que requer a participação física para o batismo, a celebração eucatística, a comunhão pelo partilhar os sentimentos e sentidos humanos. A comunhão acontece quando as pessoas estão em pequenos grupos ou envolvidas em amizades um a um.



Nesse contexto que trabalhamos nossa fé, somos moldados em amor, paciência, mansidão e verdade. É essencial que o espaço físico da igreja promova isto. Parte do que torna o corpo de Cristo tão único é a reunião e a comunhão dos irmãos. Era verdade nas igrejas do Novo Testamento e continua a ser verdade nas igrejas atualmente.



A Bíblia discorda de quem diz que é possível seguir a Deus sem a comunhão da igreja. As Escrituras nos dizem: “Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns” (Hebreus 10.25). Portanto, a comunhão cristã virtual não pode ser considerada uma alternativa viável para a comunhão nos cultos da igreja. A comunhão cristã virtual certamente pode complementar a variedade da comunhão face a face.



Por fim, temos que a comunhão virtual não promove a práxis da fé em sua completude, pois as expressões do ser humano não podem ser limitadas a um relacionamento mecânico e virtual.


André Luiz Gomes Schröder









A prática pastoral e os teólogos Friedric Daniel Schleiermacher, Juan Luis Segundo e Casiano Floristan








As contribuições dos teólogos Juan Luis Segundo e Casiano Floristan, mesmo estando separadas por centenas de anos da construção de Friedric Daniel Schleiermacher, elas se completam e exerce grande influência na prática pastoral contemporânea, principalmente aquela norteada por princípios libertadores e que tendem interpretar as afirmações sobre Deus, como interpretação da linguagem da fé, movida pela inter-relação com o sagrado e externada pela prática cristã.











Neste contexto, a prática teológica há de considerar a superação de um modelo teológico acentuadamente eclesiástico e clerical. Eclesiástico, porque sua função principal consiste em encontrar na Escritura e na Tradição fundamentos para o ensinamento do magistério pastoral. Clerical, porque é exercida exclusivamente por padres e pastores. Esta superação significa a passagem para uma teologia que busca, sobretudo, ser intérprete da linguagem religiosa como doadora de sentido de vida e com a participação da comunidade.











Friedrich Daniel Schleiermacher (1768 – 1834), filósofo e teólogo, apresenta uma estrutura da Teologia inspirada na corrente idealista de Platão e de Kant, dividindo-a em três facetas: filosófica, histórica e prática. Sendo que esta, a prática, recebe sua dedicação e nela está a relevância de sua contribuição, formatada a partir de sua concepção de Pedagogia como “ciência derivada da ética e coordenada com a política”, sendo a educação  “a direção e prosseguimento do desenvolver do indivíduo pela influência exterior”, onde manifesta ações da família, igreja, ciência e sobretudo, da comunidade em que está inserido. É essa concepção que influenciou seu pensar teológico, daí sua preocupação com a formação prática dos teólogos, culminando com a prática religiosa da igreja, a qual é balizada, dirigida, estimulada ou orientada pela prática pastoral mediante a interpretação das necessidades da igreja e não somente pela interpretação dogmática.











Walter Salles, em seu artigo “O estudo teológico da religião: Uma aproximação hermenêutica”, nos ensina que Schleiermacher concebe a Teologia Prática com o sentimento de que a religião é constitutiva de toda a vida humana, que a experiência do Infinito é, pois, sentimento que implica consciência da absoluta dependência de Deus, e a experiência de não se sentir a origem de si mesmo, uma vez que na religião o ser humano tem consciência de suas próprias limitações, da facticidade e da relatividade da sua existência e de vincular todos os afetos a Deus. Este sentimento torna-se parte integrante de toda a autocompreensão (autoconsciência) humana, que diante da absoluta dependência de Deus produz, constrói uma nova práxis de relações humanas que influenciam na vida diária da sociedade e na própria concepção do homem. Assim, a religião é concebida como a autoconsciência de um “ser-em-relação”, relação do finito com o Infinito e essa relação, como algo constitutivo do ser humano, diz respeito ao todo de sua existência.











Assim sendo, a Teologia se desenvolve no âmbito da afeição e receptividade, imediatidade e auto-experiência, e no que diz respeito ao seu estudo, somente podemos compreender a nossa relação com Deus, e não a realidade transcendente de Deus em si mesma. Assim, o exercício da teologia consiste em oferecer uma descrição clara e vivificante de uma experiência interior comum, ou seja, a teologia é a clarificação de uma experiência existencial concreta: o ponto de partida do trabalho teológico é a experiência de fé de diferentes pessoas em distintas situações.











Ainda na esteira de Walter Sales, Juan Luis Segundo (1925-1996), em sua obra intitulada “O dogma que liberta”, define de forma sucinta o seu trabalho teológico:  “o que de mim se exigia era a progressiva formação de um modo cristão e global de pensar que pudesse lançar luz sobre uma realidade complexa, na qual a fé de um grupo (preferentemente) de leigos se achasse comprometida”. Dessa forma, a teologia surge como a busca de sentido para a existência humana, ou ainda, consiste em ajudar o ser humano a ser mais humano, falando-lhe de Deus, do Deus que se revela. A Teologia deve, pois, ajudar o fiel a melhor compreender a sua fé em sintonia com a sua vida e a sua história, ou dito em termos neotestamentários, deve ajudar as pessoas a darem razão de sua esperança (1Pd 3,15).











Uma das riquezas da reflexão teológica de J.L.Segundo está no esforço em demonstrar a impossibilidade de uma ciência neutra, afinal toda ciência está a serviço de uma escala de valores, e isso é profundamente humano. Não existe pesquisa, por mais objetiva que pretenda ser, que não seja realizada fundamentada em um horizonte de interesses. Conhecer é sempre interpretar, e a estrutura hermenêutica de toda forma de saber faz-nos entrar com nossos paradigmas e categorias na interpretação do objeto de nossa experiência ou pesquisa.











J.L.Segundo faz da fé religiosa caso particular de uma dimensão antropológica universal, pois podemos dizer que todo ser humano necessita de testemunhos referenciais para articular seu mundo de valores, os quais são oferecidos pela sociedade e exigem um ato de fé, pois não podemos experimentar até as últimas conseqüências todos os valores que irão fundamentar a nossa existência antes de nos decidirmos por eles. Não sabemos por experiência própria o quão satisfatório será o caminho por nós escolhido, pois a nossa escolha implica uma aposta, sendo a idéia de um caminho satisfatório construída das experiências alheias, não comprovadas previamente por nós16. A fé como uma dimensão antropológica significa que ela é constitutiva do ser humano, representando uma aposta existencial e fazendo da sua verificabilidade última uma instância escatológica. Assumo algo como verdadeiro ainda que não o possa verificar empiricamente, por enquanto. Trata-se de uma reapropriação pessoal de valores simbolicamente manifestos no ambiente cultural por outras pessoas.











Segundo Casiano Floristán, “toda práxis religiosa tem como objetivo último a transformação de um determinado ser social, que por sua vez transforma a sociedade [o que nos leva a] considerar a tradição cristã como transmissão de práticas e ações. Neste sentido o Cristianismo se configura como comunidade de narração de uma práxis profética e messiânica. Na Bíblia, práxis é a obra ou ação produzida pelo homem com uma determinada conduta e perspectiva religiosa. A práxis de Jesus, que para os crentes é salvadora, se traduz na realização da obra de Deus. Toda a vida e obra de Jesus foi práxis”. Para Floristán, “Jesus não apenas fala, mas age (cf. Mt. 9:35-38). Assim,  ele vê no processo evangelizador de Jesus três aspectos: um caminhar com os pés, um olhar sobre a multidão e o toque das mãos, tudo com um único objetivo que é a mudança no cristão, que por sua vez produz mudanças na Igreja e na sociedade, pois a evangelização suscita fé e conversão pessoais, eclesiais e sociais.











Para desenvolver uma prática pastoral orientada pelas vertentes apresentadas, é necessária uma visão de fé diferente da fé dogmática, é preciso compreender que pessoas como nós viveram determinados acontecimentos históricos como revelação de Deus, querendo distingui-los de outros acontecimentos ordinários, e encarnam valores que dão sentido à existência humana. Por isso, por meio da fé religiosa, não se trata de declarar a aceitação de normas e dogmas, e sim aceitar uma proposta existencial apresentada e encarnada numa pessoa concreta.











A fé cristã é a aceitação dos valores que Deus propõe na pessoa de Jesus Cristo, e isso acontece pelos caminhos da história, marcada por conquistas, esperanças e dilemas humanos. A fé religiosa determina, pois, valores fundamentais naqueles que a aceitam, e na religião cristã esses valores ganham maior visibilidade com a proximidade do Reino de Deus proclamado por Jesus Cristo, proximidade que provoca uma metanóia, uma modificação radical na escala de valores (Mc 1, 14-15). A fé religiosa edificada da fé antropológica surge como fonte de uma nova estrutura significativa e deve dar soluções humanas a questões humanas, desde um processo que J.L.Segundo chama de aprender a aprender: “depositamos a fé humana naqueles que souberam manter certos valores, basicamente semelhantes aos nossos, aprendendo a realizá-los apesar de mudanças, incertezas e fracassos”. Aprender a aprender com pessoas que vivem esses valores em determinadas situações que são tidas como revelação de Deus.











A pastoral da Teologia Prática faz abertura aos problemas mais urgentes da humanidade, pois Deus é revelado nas vicissitudes, dramas, alegrias e esperanças do homem. A revelação de Deus não cai do céu, mas brota das experiências humanas cuja textura é sempre um apelo à interpretação, e esta concepção de revelação nos afasta da idéia de que a fé se tornaria religiosa quando abandonássemos as testemunhas humanas para apoiar-nos exclusivamente na autoridade de Deus, ou seja, deixar os sinais dos tempos para fixar nossos olhar nos sinais dos céus (Mt 16,1-4).











 Para a pastoral da práxis da fé, crer em Jesus como o Cristo, supõe que tenhamos fé naqueles que o conheceram, interpretaram e nos transmitiram sua crença nele, uma vez que não possuímos um acesso direto à sua vida e à sua palavra. O “eu creio” da fé pessoal supõe o “nós cremos” da tradição, e os relatos sobre Jesus são sempre atos interpretativos e não testemunhos objetivos.











Ronaldo Muñoz diz que “ a Igreja e suas comunidade hão de oferecer às pessoas o espaço e as condições de que necessitam para dizer sua própria palavra, expondo seus problemas, sua visão da vida e da convivência humana, sua fé e esperança. Hão de dar-lhes o espaço de que necessitam para criar e multiplicar seus gestos de solidariedade nas necessidades, no trabalho, gestos que devem antecipar um mundo novo, como sinais da presença do reinado de Deus que alimentam a esperança de sua plenitude futura”. Tal espaço é o espaço da prática pastoral orientado pela Teologia Prática – em redundância – , da práxis da fé.


André Luiz Gomes Schröder



A prática pastoral e os teólogos Friedric Daniel Schleiermacher, Juan Luis Segundo e Casiano Floristan








As contribuições dos teólogos Juan Luis Segundo e Casiano Floristan, mesmo estando separadas por centenas de anos da construção de Friedric Daniel Schleiermacher, elas se completam e exerce grande influência na prática pastoral contemporânea, principalmente aquela norteada por princípios libertadores e que tendem interpretar as afirmações sobre Deus, como interpretação da linguagem da fé, movida pela inter-relação com o sagrado e externada pela prática cristã.











Neste contexto, a prática teológica há de considerar a superação de um modelo teológico acentuadamente eclesiástico e clerical. Eclesiástico, porque sua função principal consiste em encontrar na Escritura e na Tradição fundamentos para o ensinamento do magistério pastoral. Clerical, porque é exercida exclusivamente por padres e pastores. Esta superação significa a passagem para uma teologia que busca, sobretudo, ser intérprete da linguagem religiosa como doadora de sentido de vida e com a participação da comunidade.











Friedrich Daniel Schleiermacher (1768 – 1834), filósofo e teólogo, apresenta uma estrutura da Teologia inspirada na corrente idealista de Platão e de Kant, dividindo-a em três facetas: filosófica, histórica e prática. Sendo que esta, a prática, recebe sua dedicação e nela está a relevância de sua contribuição, formatada a partir de sua concepção de Pedagogia como “ciência derivada da ética e coordenada com a política”, sendo a educação  “a direção e prosseguimento do desenvolver do indivíduo pela influência exterior”, onde manifesta ações da família, igreja, ciência e sobretudo, da comunidade em que está inserido. É essa concepção que influenciou seu pensar teológico, daí sua preocupação com a formação prática dos teólogos, culminando com a prática religiosa da igreja, a qual é balizada, dirigida, estimulada ou orientada pela prática pastoral mediante a interpretação das necessidades da igreja e não somente pela interpretação dogmática.











Walter Salles, em seu artigo “O estudo teológico da religião: Uma aproximação hermenêutica”, nos ensina que Schleiermacher concebe a Teologia Prática com o sentimento de que a religião é constitutiva de toda a vida humana, que a experiência do Infinito é, pois, sentimento que implica consciência da absoluta dependência de Deus, e a experiência de não se sentir a origem de si mesmo, uma vez que na religião o ser humano tem consciência de suas próprias limitações, da facticidade e da relatividade da sua existência e de vincular todos os afetos a Deus. Este sentimento torna-se parte integrante de toda a autocompreensão (autoconsciência) humana, que diante da absoluta dependência de Deus produz, constrói uma nova práxis de relações humanas que influenciam na vida diária da sociedade e na própria concepção do homem. Assim, a religião é concebida como a autoconsciência de um “ser-em-relação”, relação do finito com o Infinito e essa relação, como algo constitutivo do ser humano, diz respeito ao todo de sua existência.











Assim sendo, a Teologia se desenvolve no âmbito da afeição e receptividade, imediatidade e auto-experiência, e no que diz respeito ao seu estudo, somente podemos compreender a nossa relação com Deus, e não a realidade transcendente de Deus em si mesma. Assim, o exercício da teologia consiste em oferecer uma descrição clara e vivificante de uma experiência interior comum, ou seja, a teologia é a clarificação de uma experiência existencial concreta: o ponto de partida do trabalho teológico é a experiência de fé de diferentes pessoas em distintas situações.











Ainda na esteira de Walter Sales, Juan Luis Segundo (1925-1996), em sua obra intitulada “O dogma que liberta”, define de forma sucinta o seu trabalho teológico:  “o que de mim se exigia era a progressiva formação de um modo cristão e global de pensar que pudesse lançar luz sobre uma realidade complexa, na qual a fé de um grupo (preferentemente) de leigos se achasse comprometida”. Dessa forma, a teologia surge como a busca de sentido para a existência humana, ou ainda, consiste em ajudar o ser humano a ser mais humano, falando-lhe de Deus, do Deus que se revela. A Teologia deve, pois, ajudar o fiel a melhor compreender a sua fé em sintonia com a sua vida e a sua história, ou dito em termos neotestamentários, deve ajudar as pessoas a darem razão de sua esperança (1Pd 3,15).











Uma das riquezas da reflexão teológica de J.L.Segundo está no esforço em demonstrar a impossibilidade de uma ciência neutra, afinal toda ciência está a serviço de uma escala de valores, e isso é profundamente humano. Não existe pesquisa, por mais objetiva que pretenda ser, que não seja realizada fundamentada em um horizonte de interesses. Conhecer é sempre interpretar, e a estrutura hermenêutica de toda forma de saber faz-nos entrar com nossos paradigmas e categorias na interpretação do objeto de nossa experiência ou pesquisa.











J.L.Segundo faz da fé religiosa caso particular de uma dimensão antropológica universal, pois podemos dizer que todo ser humano necessita de testemunhos referenciais para articular seu mundo de valores, os quais são oferecidos pela sociedade e exigem um ato de fé, pois não podemos experimentar até as últimas conseqüências todos os valores que irão fundamentar a nossa existência antes de nos decidirmos por eles. Não sabemos por experiência própria o quão satisfatório será o caminho por nós escolhido, pois a nossa escolha implica uma aposta, sendo a idéia de um caminho satisfatório construída das experiências alheias, não comprovadas previamente por nós16. A fé como uma dimensão antropológica significa que ela é constitutiva do ser humano, representando uma aposta existencial e fazendo da sua verificabilidade última uma instância escatológica. Assumo algo como verdadeiro ainda que não o possa verificar empiricamente, por enquanto. Trata-se de uma reapropriação pessoal de valores simbolicamente manifestos no ambiente cultural por outras pessoas.











Segundo Casiano Floristán, “toda práxis religiosa tem como objetivo último a transformação de um determinado ser social, que por sua vez transforma a sociedade [o que nos leva a] considerar a tradição cristã como transmissão de práticas e ações. Neste sentido o Cristianismo se configura como comunidade de narração de uma práxis profética e messiânica. Na Bíblia, práxis é a obra ou ação produzida pelo homem com uma determinada conduta e perspectiva religiosa. A práxis de Jesus, que para os crentes é salvadora, se traduz na realização da obra de Deus. Toda a vida e obra de Jesus foi práxis”. Para Floristán, “Jesus não apenas fala, mas age (cf. Mt. 9:35-38). Assim,  ele vê no processo evangelizador de Jesus três aspectos: um caminhar com os pés, um olhar sobre a multidão e o toque das mãos, tudo com um único objetivo que é a mudança no cristão, que por sua vez produz mudanças na Igreja e na sociedade, pois a evangelização suscita fé e conversão pessoais, eclesiais e sociais.











Para desenvolver uma prática pastoral orientada pelas vertentes apresentadas, é necessária uma visão de fé diferente da fé dogmática, é preciso compreender que pessoas como nós viveram determinados acontecimentos históricos como revelação de Deus, querendo distingui-los de outros acontecimentos ordinários, e encarnam valores que dão sentido à existência humana. Por isso, por meio da fé religiosa, não se trata de declarar a aceitação de normas e dogmas, e sim aceitar uma proposta existencial apresentada e encarnada numa pessoa concreta.











A fé cristã é a aceitação dos valores que Deus propõe na pessoa de Jesus Cristo, e isso acontece pelos caminhos da história, marcada por conquistas, esperanças e dilemas humanos. A fé religiosa determina, pois, valores fundamentais naqueles que a aceitam, e na religião cristã esses valores ganham maior visibilidade com a proximidade do Reino de Deus proclamado por Jesus Cristo, proximidade que provoca uma metanóia, uma modificação radical na escala de valores (Mc 1, 14-15). A fé religiosa edificada da fé antropológica surge como fonte de uma nova estrutura significativa e deve dar soluções humanas a questões humanas, desde um processo que J.L.Segundo chama de aprender a aprender: “depositamos a fé humana naqueles que souberam manter certos valores, basicamente semelhantes aos nossos, aprendendo a realizá-los apesar de mudanças, incertezas e fracassos”. Aprender a aprender com pessoas que vivem esses valores em determinadas situações que são tidas como revelação de Deus.











A pastoral da Teologia Prática faz abertura aos problemas mais urgentes da humanidade, pois Deus é revelado nas vicissitudes, dramas, alegrias e esperanças do homem. A revelação de Deus não cai do céu, mas brota das experiências humanas cuja textura é sempre um apelo à interpretação, e esta concepção de revelação nos afasta da idéia de que a fé se tornaria religiosa quando abandonássemos as testemunhas humanas para apoiar-nos exclusivamente na autoridade de Deus, ou seja, deixar os sinais dos tempos para fixar nossos olhar nos sinais dos céus (Mt 16,1-4).











 Para a pastoral da práxis da fé, crer em Jesus como o Cristo, supõe que tenhamos fé naqueles que o conheceram, interpretaram e nos transmitiram sua crença nele, uma vez que não possuímos um acesso direto à sua vida e à sua palavra. O “eu creio” da fé pessoal supõe o “nós cremos” da tradição, e os relatos sobre Jesus são sempre atos interpretativos e não testemunhos objetivos.











Ronaldo Muñoz diz que “ a Igreja e suas comunidade hão de oferecer às pessoas o espaço e as condições de que necessitam para dizer sua própria palavra, expondo seus problemas, sua visão da vida e da convivência humana, sua fé e esperança. Hão de dar-lhes o espaço de que necessitam para criar e multiplicar seus gestos de solidariedade nas necessidades, no trabalho, gestos que devem antecipar um mundo novo, como sinais da presença do reinado de Deus que alimentam a esperança de sua plenitude futura”. Tal espaço é o espaço da prática pastoral orientado pela Teologia Prática – em redundância – , da práxis da fé.


André Luiz Gomes Schröder