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domingo, 20 de setembro de 2009

O declínio da pregação contemporânea

John F. MacArthur, Jr.




Resumo, por André Luiz Gomes Schröder.

 


O artigo apresenta em seu foco inicial a influência que a televisão exerce sobre a sociedade, vez que é um veículo que se dedica ao entretenimento, as propagandas apelam às emoções e promove uma visão surrealista do mundo ao mesclar a vida real com a ilusão, resultando em uma banalização da verdade.





A partir da análise do pensamento de Neil Postman, argumenta que a televisão mutila a capacidade de pensar e reduz a aptidão para a verdadeira comunicação ao transmitir informações irrelevantes, teatral, que não desafiam a pensar e faz perder a tolerância de aprender.



Ressalta que no mesmo diapasão há um declínio da pregação, pois em nossos dias é valorizado o evangelista que exagera as emoções e traz uma pregação superficial, porém breve e estimulante, voltada para o  entretenimento e que estimula o ouvinte a um frenesi, sem se importar com o ensino, a repreensão, correção ou educação na justiça, sendo que muitos pregadores já consideram o ensino de doutrinas como algo indesejável e sem utilidade prática, sob o argumento de que  as pessoas não recordam aquilo que foi pregado. Daí, é perda de tempo ouvir  sermões demorados.



Conclui dizendo que a pregação entretenimento é uma completa acomodação a uma sociedade educada pela televisão. Revela pouca preocupação com a verdade. É contrária às escrituras e o grande desafio de um pastor contemporâneo é  alcançar pessoas que se mostram indispostas e incapazes de ouvir com atenção e raciocínio exposições da verdade divina.




Leia a íntegra do artigo em: http://www.monergismo.com/textos/pregacao/pregacao_mac.pdf

O declínio da pregação contemporânea

John F. MacArthur, Jr.




Resumo, por André Luiz Gomes Schröder.

 


O artigo apresenta em seu foco inicial a influência que a televisão exerce sobre a sociedade, vez que é um veículo que se dedica ao entretenimento, as propagandas apelam às emoções e promove uma visão surrealista do mundo ao mesclar a vida real com a ilusão, resultando em uma banalização da verdade.





A partir da análise do pensamento de Neil Postman, argumenta que a televisão mutila a capacidade de pensar e reduz a aptidão para a verdadeira comunicação ao transmitir informações irrelevantes, teatral, que não desafiam a pensar e faz perder a tolerância de aprender.



Ressalta que no mesmo diapasão há um declínio da pregação, pois em nossos dias é valorizado o evangelista que exagera as emoções e traz uma pregação superficial, porém breve e estimulante, voltada para o  entretenimento e que estimula o ouvinte a um frenesi, sem se importar com o ensino, a repreensão, correção ou educação na justiça, sendo que muitos pregadores já consideram o ensino de doutrinas como algo indesejável e sem utilidade prática, sob o argumento de que  as pessoas não recordam aquilo que foi pregado. Daí, é perda de tempo ouvir  sermões demorados.



Conclui dizendo que a pregação entretenimento é uma completa acomodação a uma sociedade educada pela televisão. Revela pouca preocupação com a verdade. É contrária às escrituras e o grande desafio de um pastor contemporâneo é  alcançar pessoas que se mostram indispostas e incapazes de ouvir com atenção e raciocínio exposições da verdade divina.




Leia a íntegra do artigo em: http://www.monergismo.com/textos/pregacao/pregacao_mac.pdf

sábado, 19 de setembro de 2009

A música gospel no contexto da sociedade brasileira


  É cada vez maior o número de líderes religiosos e “conjuntos, grupos e bandas” que se dedicam à gravação de mídias com música gospel. Tal fenômeno tem influenciado a música brasileira, porém ainda de modo tímido. Em uma visão hermenêutica, e com o fim de provocar uma análise sincera, indagamos: 

A difusão da música gospel, até mesmo por rádios não evangélicas, se dá por um movimento de sincretismo e ecumenismo ou em atendimento a um apelo por uma musicalidade sem exaltação à sensualidade contida na música brasileira atual? 

A musicalidade praticada é para satisfação psicológica humana ou para louvor da divindade? 

A mercantilização das bandas gospel é reprovável ou assemelha-se à família de Asafe, o levita? 

O propósito é a criação de um nicho profissional e mercantil ou é o louvor a Deus? 

A que interessa a manutenção ou extinção de tal modelo?




André Luiz Gomes Schröder



A música gospel no contexto da sociedade brasileira


  É cada vez maior o número de líderes religiosos e “conjuntos, grupos e bandas” que se dedicam à gravação de mídias com música gospel. Tal fenômeno tem influenciado a música brasileira, porém ainda de modo tímido. Em uma visão hermenêutica, e com o fim de provocar uma análise sincera, indagamos: 

A difusão da música gospel, até mesmo por rádios não evangélicas, se dá por um movimento de sincretismo e ecumenismo ou em atendimento a um apelo por uma musicalidade sem exaltação à sensualidade contida na música brasileira atual? 

A musicalidade praticada é para satisfação psicológica humana ou para louvor da divindade? 

A mercantilização das bandas gospel é reprovável ou assemelha-se à família de Asafe, o levita? 

O propósito é a criação de um nicho profissional e mercantil ou é o louvor a Deus? 

A que interessa a manutenção ou extinção de tal modelo?




André Luiz Gomes Schröder



Mitos da atualidade..




Sob a influência do cientificismo, o mito toma uma nova roupagem. Permanecem aqueles que se reportam à origem da vida ou quanto à vida após a morte, porém o mito contemporâneo que ganha mais publicidade, afasta-se desse tipo de imaginário para apresentar justificativas, soluções ou modelos a ser seguido no cotidiano. São modelos fabricados pela mídia para servirem de referenciais imaginários para os vários tipos de desejos, anseios e emoções, como os homens rodeados de mulheres nas propagandas de cerveja; os heróis imortais e invencíveis como o Rambo; ou personagens de filmes que se tornam o padrão de comportamento tanto para vestimenta como nas expressões lingüísticas. É uma busca de identidade que deságua no comsumismo. 




André Luiz Gomes Schröder


Mitos da atualidade..




Sob a influência do cientificismo, o mito toma uma nova roupagem. Permanecem aqueles que se reportam à origem da vida ou quanto à vida após a morte, porém o mito contemporâneo que ganha mais publicidade, afasta-se desse tipo de imaginário para apresentar justificativas, soluções ou modelos a ser seguido no cotidiano. São modelos fabricados pela mídia para servirem de referenciais imaginários para os vários tipos de desejos, anseios e emoções, como os homens rodeados de mulheres nas propagandas de cerveja; os heróis imortais e invencíveis como o Rambo; ou personagens de filmes que se tornam o padrão de comportamento tanto para vestimenta como nas expressões lingüísticas. É uma busca de identidade que deságua no comsumismo. 




André Luiz Gomes Schröder


O impacto da cidade, como espaço religioso, sobre a fé cristã





O ambiente capitalista em que são construídas as novas cidades determina novos valores para os homens. Valores construídos a partir do individualismo, dada a abrangência das múltiplas relações que se tornam superficiais com a ruptura da comunhão pela impossibilidade de se estabelecer tantos relacionamentos quanto o número de pessoas que estão “próximas”, pois nas metrópoles há o alargamento das distâncias entre trabalho-moradia, casa-amizades, igreja-família e outros, o que descaracteriza a vizinhança, desfazem-se as relações primárias e espontâneas, o que desqualifica os amigos, impõem-se as relações secundárias e funcionais, o que cria os colegas e os invisíveis, afetados pela indiferença.


Na prevalência de tal multiplicidade de relacionamentos superficiais cria-se o isolacionismo, pois não há vínculo com o próximo e este se torna um objeto ambulante, dada a falta do vínculo afetivo, daí a indiferença, o narcisismo, a autosuficiência e o egoísmo.


O ambiente urbano contribui para o isolacionismo ao criar espaços cada vez mais coletivos e quando subsiste o espaço individual, é espaço de isolamento. Para atender os espaços coletivos, rapidamente são destruídos os espaços antigos, cultural e religiosamente significativos.


É intrigante a leitura que o Pe J.B Libanio faz sobre o tema em seu artigo “A igreja na cidade”, ao argumentar que :


“a destruição dos espaços tradicionais afetou diretamente a pastoral e o imaginário religioso. O nosso inconsciente é feito de sons e cheiros, de toques e gostos, de visões e sentimentos, percebidos e armazenados. E toda vez que uma tecla os provoca, brotam as experiências passadas. Ora, o inconsciente religioso forma-se, no campo e nas pequenas cidades, com os incensos das igrejas, o dobrar dos sinos, o corte majestoso da igreja paroquial, o murmúrio das preces, o arrastar-se das procissões ao som estridente das bandas, o soar dos órgãos ou harmônios, a voz decidida e preceptiva do vigário. A grande cidade tem o condão de silenciar-lhe todos esses estímulos. Mais profunda ainda se dá a mudança, ao atingir a própria lógica espacial da cidade. Quando se diz vulgarmente que o shopping assumiu o lugar da catedral não se traduz simplesmente uma percepção visual. Revela tal fato a nova lógica espacial da grande cidade que afeta intimamente o universal religioso e de valores das pessoas. Com efeito, a centralidade da igreja matriz da pequena cidade refletia a posição de destaque do Transcendente na vida das pessoas e da sua mediação histórica institucional da Igreja. O shopping desloca o Transcendente religioso para o interior das pessoas, para fora do campo visual, cercando o mercado, a mercadoria, com o esplendor e a beleza, que antes vestiam os ritos religiosos.” (Disponível em: http://www.jblibanio.com.br/modules/wfsection/article.php?articleid=221)



Em um quadro de isolamento coletivo o homem é provocado pelo instinto animal da luta pela sobrevivência, orientado por uma ideologia de sucesso, eficácia, desempenho, competitividade, excelência e qualidade total para ser o melhor, “se lixando” (lembrando a expressão do deputado Sérgio Moraes, homem público que busca o individualismo) pelo que os outros estão passando e acaba por embriagar-se em um consumismo compulsivo, consumismo que comanda os desejos do homem e ocupa o inconsciente da religiosidade. Daí a necessidade de despertar o homem para a lógica da fé que orienta o homem para uma prática cristã voltada para o amor ao próximo, que aniquila a indiferença e o individualismo, pois a lógica do evangelho é firmada no conceito comunitário e de koinonia, o que impõe à prática pastoral um discurso contrário à lógica urbana do individualismo.


André Luiz Gomes Schröder 


O impacto da cidade como espaço religioso sobre a fé cristã






O ambiente capitalista em que são construídas as novas cidades determina novos valores para os homens. Valores construídos a partir do individualismo, dada a abrangência das múltiplas relações que se tornam superficiais com a ruptura da comunhão pela impossibilidade de se estabelecer tantos relacionamentos quanto o número de pessoas que estão “próximas”, pois nas metrópoles há o alargamento das distâncias entre trabalho-moradia, casa-amizades, e outros, o que descaracteriza a vizinhança, desfaz-se as relações primárias e espontâneas, o que desqualifica os amigos, impõem-se as relações secundárias e funcionais, o que cria os colegas e os invisíveis, afetados pela indiferença.



Na prevalência de tal multiplicidade de relacionamentos superficiais, cria-se o isolacionismo, pois não há vínculo com o próximo e este se torna um objeto ambulante dada a falta do vínculo afetivo, daí a indiferença, o narcisismo, a autosuficiência e o egoísmo.



O ambiente urbano contribui para o isolacionismo ao criar espaços cada vez mais coletivos e quando há o espaço individual é espaço de isolamento. Para atender tais espaços coletivos, rapidamente são destruídos os espaços antigos, cultural e religiosamente significativos.



É intrigante a leitura que o Pe J.B Libanio faz sobre o tema em seu artigo “A igreja na cidade”, ao argumentar que :


“a destruição dos espaços tradicionais afetou diretamente a pastoral e o imaginário religioso. O nosso inconsciente é feito de sons e cheiros, de toques e gostos, de visões e sentimentos, percebidos e armazenados. E toda vez que uma tecla os provoca, brotam as experiências passadas. Ora, o inconsciente religioso forma-se, no campo e nas pequenas cidades, com os incensos das igrejas, o dobrar dos sinos, o corte majestoso da igreja paroquial, o murmúrio das preces, o arrastar-se das procissões ao som estridente das bandas, o soar dos órgãos ou harmônios, a voz decidida e preceptiva do vigário. A grande cidade tem o condão de silenciar-lhe todos esses estímulos. Mais profunda ainda se dá a mudança, ao atingir a própria lógica espacial da cidade. Quando se diz vulgarmente que o shopping assumiu o lugar da catedral não se traduz simplesmente uma percepção visual. Revela tal fato a nova lógica espacial da grande cidade que afeta intimamente o universal religioso e de valores das pessoas. Com efeito, a centralidade da igreja matriz da pequena cidade refletia a posição de destaque do Transcendente na vida das pessoas e da sua mediação histórica institucional da Igreja. O shopping desloca o Transcendente religioso para o interior das pessoas, para fora do campo visual, cercando o mercado, a mercadoria, com o esplendor e a beleza, que antes vestiam os ritos religiosos.” (Disponível em: http://www.jblibanio.com.br/modules/wfsection/article.php?articleid=221)





Em um quadro de isolamento coletivo, o homem é provocado pelo instinto animal da luta pela sobrevivência, orientado por uma ideologia de sucesso, eficácia, desempenho, competitividade, excelência e qualidade total para ser o melhor sem “se lixar” (lembrando a expressão do deputado, homem público que busca o individualismo) pelo que os outros estão passando e acaba por embriagar-se em um consumismo compulsivo, consumismo que comanda os desejos do homem e ocupa o inconsciente da religiosidade, daí a necessidade de despertar o homem para a lógica da fé que orienta o homem para uma prática cristã voltada para o amor ao próximo, que aniquila a indiferença e o individualismo, pois a lógica do evangelho é firmada no conceito comunitário e de koinonia, o que impõe à prática pastoral um discurso contrário à lógica urbana do individualismo.


André Luiz Gomes Schröder 



Cidadania do Reino e o Poder Público secular




A
estreita via desta abordagem não comporta a pormenorização das
temáticas da lex divina, lex natura e lex positiva. 
Registramos apenas que foi a secularização do direito natural pela
teoria dos valores objetivos da escolástica espanhola (Francisco de
Vitória, Vazquez e Suarez) que, substituindo a vontade divina pela
«natureza ou razão das coisas», deu origem a uma concepção
secular do direito natural, posteriormente desenvolvida por Grotius,
Pufendorf e Locke. São os preceitos da «rectae rationis» (noção
explicitada logo por Guilherme de Ockam) que, desvinculados do peso
metafísico e nomina-lístico, que conduzem à ideia de direitos
naturais do indivíduo e à concepção de direitos humanos
universais.  Por tal razão, direito inerente ao homem constitui
o vínculo entre duas ordens distintas de direito: o Direito Divino e
o Direito Positivo, o qual é a materialização – por meio de
normas jurídicas – dos direitos fundados na própria natureza dos
homens.





No âmbito
do Direito Positivo, as instituições governamentais públicas
adotam como formato de “cidadania” o uso, gozo e fruição dos
direitos fundamentais do homem, no caso brasileiro são aqueles
consolidados na Constituição Federal e que dizem respeito aos
direitos de personalidade, que abarcam os direitos de estado (não
raro traduzido como o próprio direito de cidadania), os direitos
sobre a própria pessoa (direito à vida, à integridade moral e
física, direito à privacidade), os direitos distintivos da
personalidade (direito à identidade pessoal, direito à informática
etc.) e muitos dos direitos de liberdade (tal qual o direito
liberdade de expressão).




Para o
Direito Divino, a “cidadania do Reino de Deus” é desenvolvida
segundo os valores cristãos do evangelho, tendo o amor a Deus e ao
próximo como norteador e isto faz do “cidadão do Reino” um
paladino da paz que não aceita a violência, a criminalidade, a
corrupção, a opressão e repressão armada que apenas aumente a
mortandade, mas antes busca promover a igualdade social, o direito à
vida, à integridade moral e física, direito à privacidade, o
direito ao patrimônio e, sobretudo, o direito à liberdade,
inclusive o de renúncia à cidadania celeste.




Assim, na
defesa estatal dos “direitos fundamentais do homem” há uma
congruência em prol dos valores defendidos pelo Reino de Deus, os
quais são legítimos e desejáveis, porém não há, por parte dos
entes públicos, uma defesa “oficial” e direta da “cidadania do
Reino”, mas há uma defesa indireta, vez que os valores atribuídos
à cidadania defendida pelo Estado nada mais é que uma transmutação
dos valores da lex divina para a lex positiva, da qual o Estado é o
guardião.





Se por um
lado o Estado defende uma “cidadania do Reino” transmutada em
“direitos fundamentais do homem”, por outro a “igreja”, por
ser representante do “Reino” não pode se isolar como se fosse
“guetos religiosos e políticos que aguardam a destruição do
mundo”. A “igreja” é sal da Terra e luz do mundo, em outras
palavras é a promotora da cidadania do Reino no dia-a-dia da
sociedade.





No dizer
de Júlio Zabatiero, Diante de situações de violência como a que
enfrentamos em grandes cidades no Brasil, a população organizada
precisa ir às ruas e dizer em alto e bom som: Precisamos nos educar,
como povo de Deus e como sociedade brasileira, a viver em busca da
permanente reconciliação e da paz social – paz que só se
concretiza juntamente com a justiça. Chamadas e chamados por Jesus,
somos cidadãs e cidadãos dos céus e também da Terra – e nela
realizamos a missão, antecipando escatologicamente os céus que
esperamos (Rm 8.18ss). 








André Luiz Gomes Schröder 


Cidadania do Reino e o Poder Público secular




A
estreita via desta abordagem não comporta a pormenorização das
temáticas da lex divina, lex natura e lex positiva. 
Registramos apenas que foi a secularização do direito natural pela
teoria dos valores objetivos da escolástica espanhola (Francisco de
Vitória, Vazquez e Suarez) que, substituindo a vontade divina pela
«natureza ou razão das coisas», deu origem a uma concepção
secular do direito natural, posteriormente desenvolvida por Grotius,
Pufendorf e Locke. São os preceitos da «rectae rationis» (noção
explicitada logo por Guilherme de Ockam) que, desvinculados do peso
metafísico e nomina-lístico, que conduzem à ideia de direitos
naturais do indivíduo e à concepção de direitos humanos
universais.  Por tal razão, direito inerente ao homem constitui
o vínculo entre duas ordens distintas de direito: o Direito Divino e
o Direito Positivo, o qual é a materialização – por meio de
normas jurídicas – dos direitos fundados na própria natureza dos
homens.





No âmbito
do Direito Positivo, as instituições governamentais públicas
adotam como formato de “cidadania” o uso, gozo e fruição dos
direitos fundamentais do homem, no caso brasileiro são aqueles
consolidados na Constituição Federal e que dizem respeito aos
direitos de personalidade, que abarcam os direitos de estado (não
raro traduzido como o próprio direito de cidadania), os direitos
sobre a própria pessoa (direito à vida, à integridade moral e
física, direito à privacidade), os direitos distintivos da
personalidade (direito à identidade pessoal, direito à informática
etc.) e muitos dos direitos de liberdade (tal qual o direito
liberdade de expressão).




Para o
Direito Divino, a “cidadania do Reino de Deus” é desenvolvida
segundo os valores cristãos do evangelho, tendo o amor a Deus e ao
próximo como norteador e isto faz do “cidadão do Reino” um
paladino da paz que não aceita a violência, a criminalidade, a
corrupção, a opressão e repressão armada que apenas aumente a
mortandade, mas antes busca promover a igualdade social, o direito à
vida, à integridade moral e física, direito à privacidade, o
direito ao patrimônio e, sobretudo, o direito à liberdade,
inclusive o de renúncia à cidadania celeste.




Assim, na
defesa estatal dos “direitos fundamentais do homem” há uma
congruência em prol dos valores defendidos pelo Reino de Deus, os
quais são legítimos e desejáveis, porém não há, por parte dos
entes públicos, uma defesa “oficial” e direta da “cidadania do
Reino”, mas há uma defesa indireta, vez que os valores atribuídos
à cidadania defendida pelo Estado nada mais é que uma transmutação
dos valores da lex divina para a lex positiva, da qual o Estado é o
guardião.





Se por um
lado o Estado defende uma “cidadania do Reino” transmutada em
“direitos fundamentais do homem”, por outro a “igreja”, por
ser representante do “Reino” não pode se isolar como se fosse
“guetos religiosos e políticos que aguardam a destruição do
mundo”. A “igreja” é sal da Terra e luz do mundo, em outras
palavras é a promotora da cidadania do Reino no dia-a-dia da
sociedade.





No dizer
de Júlio Zabatiero, Diante de situações de violência como a que
enfrentamos em grandes cidades no Brasil, a população organizada
precisa ir às ruas e dizer em alto e bom som: Precisamos nos educar,
como povo de Deus e como sociedade brasileira, a viver em busca da
permanente reconciliação e da paz social – paz que só se
concretiza juntamente com a justiça. Chamadas e chamados por Jesus,
somos cidadãs e cidadãos dos céus e também da Terra – e nela
realizamos a missão, antecipando escatologicamente os céus que
esperamos (Rm 8.18ss). 








André Luiz Gomes Schröder