sexta-feira, 29 de março de 2013

UMA PÁSCOA SEM CORDEIRO?



No primeiro dia da festa dos Pães sem Fermento, quando sacrificavam o cordeiro pascal, [...]


Enquanto comiam, Jesus tomou o pão e, abençoando-o, partiu-o e lhes deu, dizendo: Tomai; isto é o meu corpo.


E tomando um cálice, deu graças e entregou-o aos discípulos, e todos beberam dele. E disse-lhes: Isto é o meu sangue, o sangue da aliança derramado em favor de muitos.  (Mc 14.12,22-24)






Jesus havia se reunido com seus discípulos para celebrar a páscoa e naquele dia o ritual foi diferente do estabelecido pela tradição judaica.
Após Deus instituir a Páscoa quando seu povo saía do Egito, essa cerimônia passou a ser celebrada como um memorial em que os judeus recontam a libertação da escravidão do Egito, no dia em que sacrificaram um cordeiro e marcaram suas portas com seu sangue em sinal de que aquela era uma casa que abrigava os filhos de Deus. A páscoa significava a “passagem” da escravidão para a liberdade.
Durante a festa aquele que presidia a cerimônia levantava um cálice e anunciava qual o motivo da cerimônia, explicava porque o cordeiro foi morto e também porquê estavam comendo pães sem fermento.
Por muitos e muitos anos assim foi celebrada a páscoa e até hoje ainda se faz assim entre os judeus que não aceitaram a vinda do messias, mas naquela noite foi diferente. Marcos diz que enquanto comiam Jesus mudou o ritual e ensinou uma nova maneira de celebrar a páscoa.
Jesus falou a seus discípulos que o pão que eles comiam e que representava o sofrimento no Egito, agora era o pão da sua aflição, o pão que representava sua amargura na cruz. O vinho não representava mais a alegria presente na festa de celebração do fim da escravidão, mas ganhava um novo significado ao lado da alegria, significava agora o sangue de Cristo derramado para lavar os pecados e marcar aqueles que pela fé são filhos de Deus.
A mova celebração da páscoa, apenas com pão e vinho, pode ter intrigados os discípulos. Para a mente judaica era impossível aceitar uma páscoa sem o cordeiro, afinal, Deus mandou imolar o cordeiro para marcar com o sangue, as casa de seus servos fieis. Não demorou muito para os discípulos entenderem onde estava o cordeiro da páscoa.
Após a morte na cruz, certamente os discípulos lembraram-se do brado de João Batista: “eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Estas palavras na memória os fez entender que Cristo Jesus é o Cordeiro de Deus e o sangue do seu sacrifício seria derramado uma única vez, porém suficiente para marcar todos quantos se achegarem a Ele, crendo em sua morte vicária, capaz de pagar nossos pecados e nos tornar filhos de Deus.
Jesus é nosso cordeiro pascal. Ele é a nossa “passagem” da escravidão do pecado que produz morte para a liberdade em Cristo que nos dá a vida eterna com Deus.
Cristo é a “passagem” para a vida! Aleluia.


Pr André Luiz Gomes Schröder


sábado, 23 de março de 2013

A VIDA DE APARÊNCIAS

Jesus sentiu fome. Avistando de longe uma figueira com folhas, foi verificar se acharia nela alguma coisa. Aproximando-se, nada achou, senão folhas, pois não era época de figos. 
Então Jesus disse à figueira: Ninguém jamais coma do teu fruto. E seus discípulos ouviram isso. 
Quando passavam na manhã seguinte, viram que a figueira havia secado desde as raízes. Então Pedro, lembrando-se, disse-lhe: Mestre, olha; a figueira que amaldiçoaste secou. (Mc 11.12-14, 20, 21)

Os comentaristas bíblicos ensinam que as folhas das figueiras aparecem em março ou abril e seus frutos em junho. Junto com a folhagem, nova, viçosa, de boa aparência, surgem pequenos nódulos comestíveis, prenúncio da produção dos figos tão apreciados pelo povo do oriente médio e, mesmo após a safra de figo, permanece alguns frutos, mais minguados, entre as folhas que logo cairão com o verão intenso da região árida. 

Pelo relato do Evangelista Marcos, na segunda-feira da semana santa Cristo avistou uma bela figueira, cheia de folhas e se aproximou em busca desses nódulos que são promessas de frutos. Mais que saciar sua fome, o objetivo de Cristo era deixar seu ensinamento. Ele já havia dito que toda árvore que não produz  bom fruto deve ser cortada e lançada ao fogo (Mt 7.19). Ao olhar para a figueira, certamente Cristo não esperava encontrar uma safra abundante, pois ainda não era chegada a hora da colheita, mas ao procurar entre as folhas, Ele não encontrou nem mesmo promessa de frutos.
Deus ensinou a Israel que a figueira simboliza o seu povo e Cristo confirmou esse ensinamento, portanto, assim como Cristo se aproximou da figueira para examinar se havia a mínima promessa de frutos, Ele também se aproxima do seu povo para examinar e ver se há frutos.

Cristo não é injusto para exigir uma safra abundante daqueles que são pequenos e tenros na fé, mas Ele quer que, na medida do nosso crescimento espiritual, possamos dar bons frutos.

Aquela figueira estava cheia de folhas, era bonita e chamava a atenção daqueles que passavam pelo caminho, porém nem mesmo promessa de frutos havia em seus galhos, o que levou Cristo lançar sua condenação sobre aquela figueira. 
Assim como a figueira, o povo de Deus não pode viver de aparências.  Belos e megatemplos, potente aparelhagem de som com abundância de instrumentos musicais, belas vozes que fazem um show que leva o povo ao delírio, obras sociais de causar inveja à Cruz Vermelha, assiduidade a todos os cultos e intermináveis campanhas de jejum, tudo isso pode não ultrapassar a mera aparência. Não há condenação para aparências, mas Deus condena toda aparência sem fruto.

Deus quer que seu povo frutifique,  Ele quer que seu povo multiplique o amor e a justiça derramada sobre seus filhos. Deus quer encontrar entre seus filhos, verdadeiros adoradores, que o adorem em espírito e verdade. Ele quer que possamos semear a sua palavra e também praticá-la, pois Cristo disse: "vocês não podem dar frutos se não permanecerem em mim" (Jo 15.4c) e permanecer em Cristo é praticar tudo que Ele ensinou.

Portanto, não se preocupe com a aparência de santidade, pois Deus não quer encontrar em você apenas aparência, Ele quer encontrar o bom fruto do Espírito Santo.
Pr André Luiz Gomes Schröder

sábado, 19 de janeiro de 2013

ANSIEDADE






“Não se preocupem com a sua própria vida, quanto ao que comer ou beber; nem com seu próprio corpo, quanto ao que vestir. 


Não é a vida mais importante que a comida, e o corpo mais importante que a roupa? […]


Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” 


(Mat. 6.25,33)





A sociedade da competição, da luta pelo poder, do status, da moda, da busca desenfreada por bens de consumo, ou seja, a sociedade do egoísmo, da cobiça, da indiferença e da insegurança, produz no homem a incerteza quanto ao futuro e faz nascer a ansiedade.


A ansiedade produz um vazio na alma e desencadeia a busca pelo preenchimento desse vazio. Daí muitos recorrem vício do cigarro, da bebida ou das drogas, enquanto outros recorrem alimento e comem compulsivamente, já outros recorrem à busca de um objeto indefinido que não é encontrado, por isso passam a comprar qualquer coisa, principalmente aquilo que parece lhe agradar. Mas nada disso resolve e à medida que a ansiedade aumenta ela potencializa a incerteza quanto ao futuro e por fim o medo do desconhecido, impedindo assim a luta para enfrentar os desafios comuns da vida.


O mundo moderno nos ensina fazer planos, estabelecer objetivos e traçar metas. Este é um bom caminho. Em Lucas 14 vemos que aquele que inicia uma construção sem antes se assentar e fazer os planos e cálculos de gastos é tido como insensato, daí porque até mesmo para seguir a Cristo é necessário avaliar o ônus de ser servo. Entretanto, ao planejar falamos aquilo que é incerto, desconhecido e que pertence ao futuro e isso não pode nos causar preocupação excessiva e tomar conta dos pensamentos causando ansiedade na alma.


Sendo Cristo o bom pastor, Ele quer nos dar a paz. Ele quer nos ver como ovelhas em pastos verdejantes e à beira das águas tranquilas (Sl. 23). Ele quer nos dar alegria e é por isso que Paulo escreveu aos Filipenses (4.4-7), dizendo: “Alegrai-vos sempre no Senhor. […] Não andeis ansiosos de coisa alguma”. 


Mas como não andar ansiosos se temos motivos fortes para ter medo do futuro? Como o pai de família não se preocupará com o alimento de seus filhos se não tem um emprego ou como o jovem não se preocupará com a profissão a seguir se ele terá que fazer a escolha entre centenas de cursos? E a doença que pode tirar a vida, como não se preocupar e ter medo dela? Há muitas coisas que podem aprisionar nossos pensamentos: a casa, o carro, a mobília, o casamento, o concurso, o notebook, o celular novo tão desejado, enfim, tantas coisa que podem se tornar o centro de nossos pensamentos e agora o pastor repete aquilo que o apóstolo Paulo disse: “não andar ansiosos”?


Realmente pode parecer algo impossível simplesmente não andar ansiosos, e verdadeiramente será impossível se não abrirmos os olhos para o ensino bíblico. Paulo nos ensina que em lugar da ansiedade, devemos lançar sobre Cristo toda nossa preocupação por meio da oração, tornando conhecidas de Deus as nossas súplicas, revestidas de ações de graças, pois a gratidão a Deus se fazer presente em toda oração verdadeira. No evangelho de Mateus Cristo nos ensina a nos preocupar em buscar o reino e Deus, pois as coisas que o nosso corpo precisa, Deus proverá. Portanto, em lugar de afligir-se, preocupar-se ou ficar ansioso, deposite sua confiança na soberania e no poder de Deus. 


O primeiro passo para aprender a confiar em Deus é aprender a ter prazer na lei do Senhor e meditar em suas palavras dia e noite (Sl 1.2). A palavra de Deus é um ótimo remédio para combater a ansiedade. Somente após aprender da palavra de Deus é que você entenderá com que profundidade o salmista disse:





“Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele e o mais ele fará” (Sl. 37.5)


Pr. André Luiz Gomes Schröder

sábado, 10 de novembro de 2012

SEREIS MINHAS TESTEMUNHAS!


Muitos samaritanos daquela cidade creram nele, em virtude do testemunho da mulher. Jo 4.39





Um jurista, ao ouvir a palavra testemunho, vem à sua mente o ato de depoimento, de declaração proferida por uma testemunha. Este não é um conceito errôneo. Testemunhar é verdadeiramente declarar e foi o que a mulher samaritana fez ao ouvir de Cristo que Ele era o próprio Deus. Ela creu que Cristo poderia lhe dar a vida eterna e de imediato saiu a proclamar as verdades de Deus. Ela testemunhou, ela falou de Cristo. Ela tirou seus vizinhos de suas casas e os levou ao lugar onde Jesus estava, para que eles mesmos ouvissem as palavras da salvação. Ela não se envergonhou em abrir sua boca para falar.


Quanta ousadia daquela mulher. Ela foi uma "testemunha" e suas palavras foram ouvidas e foram capazes de convencer e conduzir muitas pessoas à presença de Cristo.


Naquele tempo, dentre os líderes religiosos dos judeus destacava-se os fariseus, homens zelosos da lei, diligentes no cumprimento, divulgação e ensino dos rituais e normas legais. Eram verdadeiras testemunhas da Lei de Moisés, porém Cristo os chamou de hipócritas, pois testemunhavam pela palavra e praticavam os rituais, mas em seus corações não haviam amor a Deus, ao próximo ou mesmo à lei que eles ensinavam, pois ensinavam "não adulterarás", mas cobiçavam a mulher do próximo;  ensinavam "não matarás", mas odiavam uns aos outros e lhes desejavam a morte; ensinavam "amarás ao teu próximo como a ti mesmo", e para provar isso davam esmolas para que todos pudessem ver, mas não eram capazes de socorrer um ferido caído ao chão; ensinava "amarás ao Senhor teu Deus", mas consideravam um fardo fazer a vontade de Deus.


Os fariseus eram testemunhas, mas não praticavam suas palavras, seus ensinos.


No evento conhecido como "a grande comissão", após aparecer ao discípulos e ter uma longa conversa com eles, Cristo Jesus fez a promessa do dom do Espírito Santo e, segundo conta o historiador Lucas, ele mandou que todos fossem "testemunhas" de Cristo até os confins da terra [At. 1.8], enquanto Mateus, o apóstolo e discípulo que estava presente e conversou com Cristo, entendeu que Cisto mandou ir e fazer discípulos de todas as nações. 


Para o cristão, diferente do jurista, testemunho não é apenas uma declaração, mas é viver em conformidade. Assim, tanto Lucas como Mateus e a história da samaritana nos ensina que devemos atrair seguidores pelo testemunho, ou seja, pela prática da palavra de Deus, pois nós somos chamados para ser luz do mundo, refletindo as verdades encontradas no pacto que temos com Deus em Jesus Cristo.


A vida do cristão deve ser coerente com aquilo que ele crê e até mesmo ensina. Em 1Jo 2.6, temos que "aquele que afirma que permanece [em Cristo] deve andar como ele andou", pois nós somos a carta viva de Cristo "conhecida e lida por todos os homens" [2Co 3.2,3], e como disse Moody "de cem homens, um lerá a Bíblia [mas], 99 lerão o cristão".


Visto que os homens leem o cristão, ou seja, olham para seus atos e leem os ensinos de Cristo, o testemunho do cristão pode até mesmo ser silencioso, sem palavras, mas deve ser um verdadeiro discipulado: o ensino pelo exemplo, refletindo os ensinos de Cristo.


Portanto, faça tudo para testemunhar de Cristo e, se necessário, use as palavras.


Pr André Schröder

sábado, 3 de novembro de 2012

O FILHO AMADO FAZ A VONTADE DO PAI


Disse-lhes Jesus: A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra [Jo 4.34]. 





Jesus é o unigênito filho de Deus e Lucas, o evangelista, nos mostra que Deus anunciou que Jesus Cristo é o filho amado de Deus e aquele que agrada a Deus [Lc 3.21,22]. A Bíblia nos ensina que nós, os homens que creem  no sacrifício de Cristo, somos filhos por adoção. Se todo homem que é filho de Deus é um filho adotado, quer dizer que fomos criados longe do Pai e agora precisamos aprender as regras da casa de Deus.


Quando o filho nasce na casa do pai ele cresce e aprende seus direitos e deveres e assim o fazer a vontade do pai lhe é natural, pois ele aprendeu no dia a dia como se comportar, mas no caso de um filho que é adotado já sendo grande e que traz para a casa do pai seus vícios e costumes contrários aos costumes do pai, ele tem dois caminhos a seguir: ele pode escolher o caminho da experimentação, de agir e correr o risco de acertar ou errar, agradar ou aborrecer, ou ainda poderá escolher o caminho da imitação, ou seja, agir como o filho que agrada ao pai e assim, tendo um comportamento semelhante ao filho amado ele também agradará ao pai.


Jó, o servo que sofreu para provar sua fidelidade a Deus, procurou aprender de Deus para lhe agradar e disse que  dava mais valor às palavras da boca de Deus do que ao seu pão de cada dia [Jó 23.12]. Este é um exemplo de dedicação, reconhecimento  e valorização daquele que o amou e lhe tomou como filho.


Jesus, quando esteve entre nós, os filhos por adoção, ensinou-nos verdades preciosas sobre o relacionamento com Deus e também deu prova do amor ao mandamento a Deus e do zelo e cuidado para com o agir segundo a vontade Deus. No texto que ressaltamos acima, assim como Jó deu valor inestimável à palavra de Deus, Jesus também considerou que o fazer a vontade e a obra ou missão recebida de Deus é tão satisfatório que excede à vontade ou necessidade de comida.


Após esse ensinamento que valoriza o fazer a vontade de Deus e valoriza também o cumprimento da missão concernente ao reino de Deus, Jesus mandou que os discípulos olhassem para mundo a fim de perceber o quanto e como poderiam servir como instrumentos de Deus para a salvação do homem e assim cumprir a vontade de Deus que é "todo aquele que olhar para o Filho e nele crer tenha a vida eterna" [Jo 6.40]. Assim, nossa missão é apresentar Cristo ao mundo e ao receber uma missão no Corpo de Cristo que é a igreja, a qual tem a missão maior de estabelecer o Reino de Deus na terra, devemos ouvir as palavras do sábio rei Salomão o qual nos ensina que tudo quanto vier às mãos para fazer, teremos que fazer com todas as nossas forças, visto que a oportunidade para fazer é aqui, pois no além, após a morte, não se poder fazer mais nada neste mundo material [Ec 9.10].


Assim, façamos a obra de Deus com total dedicação, pois Deus se agrada daqueles que o amam e dão prova disso.


Pr André Luiz Gomes Schroder

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

O BATISMO SALVA?

Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado [Mac 16.16]

O evangelho pregado por Jesus e seu apóstolos apontam que a fé é a chave para a salvação. Não há nada mais que seja requerido para salvar o mais cruel e indigno dos pecadores, que a fé, pois do pecador não é requerida nenhuma penitência, prova de santidade ou inexistência da prática de pecado até a morte, passagem pelo purgatório ou mesmo o batismo.
Para ser salvo basta ter fé. Mas fé em que, em que grau, e como saberei se minha fé é genuína e se serei salvo pela fé? Jesus respondeu a todas estas perguntas pois elas também intrigavam aos discípulos. Conversando com Nicodemos Ele ensinou que é preciso crer no amor de Deus e no sacrifício de Cristo Jesus [Jo 3.16,36], ou seja, para ser salvo eu devo crer que Deus me ama e que Ele mandou Jesus morrer em uma cruz em meu lugar, para pagar os pecados que eu cometi. Para habitar com Cristo nos céus eu preciso crer nesse amor sacrificial e todo aquele que crê em Cristo recebe o Espírito Santo da Promessa como um selo, o qual testifica que aquele em quem Ele habita é um filho de Deus que pratica as mesmas obras de Cristo [Jo 14.11-24; At 2.38;  Rom 8.14,15].
Se eu devo ter fé, qual o tamanho dessa fé? Cristo disse que se alguém tiver fé do tamanho de um grão de mostarda poderá dizer para um monte mudar de lugar e ele mudará, acrescenta ainda que nada será impossível para aquele que tiver fé [Mat 17.20]. Ele comparou a necessidade de fé com um grão de mostarda que em Marcos 4.31, é chamado de "...a menor de todas as sementes sobre a terra". Cristo pegou o exemplo do menor grão para mostrar o tamanho da fé que precisamos ter para fazer grandes coisas, e alcançar a a salvação é algo extraordinário, um grande feito. Com esse exemplo Cristo nos ensina que não devemos nos preocupar com o tamanho da fé, mas sim com a qualidade da fé. É preciso que tenhamos fé que produza frutos ou grãos, pois é preciso frutificar. O fruto é a prova da natureza da árvore, pois é pelo fruto que se conhece a árvore [Mat 7.15-23].
Qual é o fruto da fé que salva? O fruto da fé que salva é a obediência à palavra de Deus. Jesus disse que "todo aquele que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão" [Mat 12.50], ou seja, é filho de Deus e está salvo, destinado a habitar nos céus, pois Ele acrescenta que "Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu pai que está nos céus [Mat 7.21].
Assim sendo, não é preciso medir a fé, mas é preciso ter uma fé capaz de frutificar pela obediência à palavra de Deus e o primeiro mandamento que se deve cumprir é reconhecer a soberania e o amor de Deus, bem como reconhecer a obediência, o sacrifício e o amor de Cristo Jesus. Ao ser produzido este fruto da fé, imediatamente outro fruto será produzido, o fruto do reconhecimento da condição de transgressor da lei de Deus e de arrependimento dos pecados praticados. 
Veja que inicialmente a fé produz apenas sentimentos e não é exteriorizada, mas é suficiente para garantir a salvação do homem. Porém, se esse sentimento é real, verdadeiro, genuíno e sincero é preciso continuar produzindo frutos para que seja testemunhada a "natureza da árvore". É preciso que a fé possa fluir e conduzir à prática de obras guiadas pelo Espírito Santo, o que caracteriza o verdadeiro filho de Deus, pois se torna uma árvore que produz o fruto do Espírito e pelo fruto se conhece a árvore.
Quando estamos tomados pela ira, nossas ações são próprias de um iracundo, bem como se somos tomados pelo afeto, amor e carinho, nossas ações revelam amor. Portanto se nosso coração está tomado de fé em Deus, como Cristo nos ensinou, nossas ações devem ser de obediência a Deus e uma das primeiras ordenanças de Deus que o cristão deve atender é a ordenança do batismo, porque é com o batismo que o filho de Deus de Deus anuncia: Eu reconheço a soberania de Deus, reconheço que Cristo pagou pelos meus pecados, creio que já estou salvo e habitarei com a Igreja de Cristo nos Céus.
Portanto, o batismo não salva, mas o batismo é o fruto que testifica da fé que habita no coração do homem que se tornou filho de Deus e não apenas criatura.
Pr Andre Luiz Gomes Schroder

sábado, 13 de outubro de 2012

UMA CONVERSA COM AS CRIANÇAS

(Para ler com seus filhos)


"Deixai vir a mim os pequeninos e não os impeçais, porque dos tais é o reino de Deus." Marcos 10:14



Certo dia Jesus estava ensinando ao povo sobre Deus e, de repente, algumas crianças começaram a se aproximar de dele. As crianças ouviram Jesus ensinar e gostaram do seu jeito, da sua palavra, daí logo se aproximaram e  quiseram subir em seu colo, conversar com ele e também queriam que ele falasse sobre Deus para elas.
Ao perceberem que as crianças estavam chamando a atenção de Jesus e que Jesus estava deixando de falar com a multidão de adultos para falar com as crianças, os discípulos quiseram tirar todos aqueles meninos dali para que o mestre não parasse de ensinar aos adultos, pois era importante eles aprenderem de Deus, afinal depois os adultos poderiam ensinar às crianças, em casa. Certamente os discípulos pensaram que as crianças queriam somente atrapalhar Jesus, mas quando Jesus viu o que os discípulos estavam fazendo, ficou aborrecido e não concordou com os discípulos [Marcos 10.14], pois sabia que as crianças querem e precisam aprender sobre Deus, e então  mandou que deixassem aquelas crianças se aproximarem, pois elas também precisavam aprender de Deus.
Jesus ensinou que não importa a idade, todos precisam aprender de Deus, pois Ele é quem dá nosso alimento, saúde, roupa e um dia após o outro para crescermos e ficarmos fortes. Ele nos dá também novos amigos, disposição para brincar e também sabedoria para aprender novas coisas, inclusive sobre o criador de todas as coisas e que ama o homem de modo  especial.
Ainda hoje Jesus quer falar com as crianças para ensinar a vontade de Deus. Ele ensinou e convenceu muitas pessoas para que escrevessem a Bíblia e é nela que estão os ensinamentos de Jesus para nós. Nós devemos ler a Bíblia para aprendermos de Deus e de Jesus e assim entendermos como Ele nos ama.
Feliz dia das crianças, e se você quiser ter uma vida inteira feliz, a cada dia aprenda um pouco sobre Jesus! 
Pr André Luiz Gomes Schroder

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

UMA FESTA DIGNA DA PRESENÇA DO FILHO DE DEUS.

[...] houve um casamento em Caná da Galileia, achando-se ali a mãe de Jesus. 
Jesus também foi convidado [Jo 2.1,2]

Concluímos nosso estudo do capítulo I de João, realizado durante cinco encontros, agora, no capítulo 2  deparamo-nos com um relato histórico que para muitos não passa de uma narrativa sobre a vida de Cristo, mas não devemos esquecer que  "toda Escritura é divinamente inspirada é apta para ensinar" [2Tm 3.16] e este é um dogma que o Cristão deve cultivar a cada vez que lê uma passagem bíblica, e o relato do casamento em Caná da Galileia não é diferente, assim, além do fato histórico devemos olhar para o simbolismo pedagógico presente nessa atividade social do nosso Salvador.
Os evangelhos apresentam o ministério de Cristo com seus discípulos, porém o evangelista  João foi inspirado a descrever a participação de Cristo e sua família, mãe e irmãos, em uma festa de casamento que provavelmente foi celebrada por um parente próximo – conclusão esta decorrente da participação e iniciativa de Maria na organização da festa.
Quando Deus instituiu o casamento no ato da criação do homem e da mulher, a família foi posta em evidência para cumprir um propósito singular na vida do homem, pois para preservar a família é necessário estabelecer o amor  entre seus membros pois do amor decorre o respeito e auxílio mútuo,  os quais são a base da união e preservação da família.
A presença de Jesus em um casamento inaugurando seu ministério e dando início à glorificação de Deus pelos milagres, mostra-nos a importância do casamento e da família para o cristianismo, assim como Deus instruiu o homem e a mulher para que se unissem constituindo uma só carne [Gn 2.24], ao iniciar seu ministério em uma celebração de casamento Cristo mostrou que deseja a preservação e valorização da família, para que ela possa cumprir seu propósito.
A participação de Cristo em uma festa familiar nos ensina que é necessário que os cristãos vivam em família. Cristo não participou de uma festa qualquer. Não era uma festa pagã, era uma festa judaica onde estava reunida a família dos noivos. Na festa familiar não há lugar para a depravação moral, pois esta depõe contra a família. Não há lugar para as drogas, pois elas destroem a família. Não há lugar para a embriaguez, pois ela faz do homem um insensato,  violento, incontrolado e errante no juízo [Prov. 20.1; Is 28.7], provocando brigas e desavenças, desunindo e aniquilando a família. Em uma festa familiar é imprescindível que haja preservação da moral e o respeito mútuo entre as pessoas.
O ato de participar em uma festa não deve servir de justificativa para o cristão participar de qualquer tipo de festa que haja a degradação moral, mas deve servir de instrução para participar de festas em família, onde é celebrada a união e a honra, permitindo assim a participação do Rei dos Reis. Portanto, não devemos dizer que se Cristo foi a uma festa, posso ir a qualquer festa, pois é tudo igual, mas a minha afirmação ou pergunta deve ser: A festa que eu vou tem lugar para Cristo? Posso convidar Cristo para ir comigo à festa?
Que a palavra de Deus nos habilite para toda boa obra [2Tm 3.17].
Pr André Luiz Gomes Schröder

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

UM HOMEM CHAMADO “DEUS ENVIOU GRAÇA”


Houve um homem enviado por Deus, cujo nome era João  [Jo 1.6]

É extraordinário o modo como o evangelista João apresenta a glória de Jesus Cristo, o qual é o próprio Deus eterno, o criador de todas as coisas, fonte de luz e vida, ao passo em que sobre João Batista ele diz apenas que "houve um homem enviado por Deus cujo nome era João".
João, pelo seu próprio nome anunciou que "Deus enviou sua Graça" ou mesmo que "Deus é gracioso". Conforme narrou João, o evangelista, o ministério do Batista, esse homem que anunciou a graça de Deus, foi servir de "testemunha para que testificasse a respeito da luz, a fim de todos virem a crer por intermédio dele". 
O ministério de "testemunha" fez João Batista chamar a atenção das pessoas para o Cristo, aquele que é a verdadeira luz, o sol da justiça que ilumina os homens com a justiça de Deus, pois ambos os joãos reconheceram a grandiosidade do Filho de Deus, o qual é eterno, transcende ao tempo e espaço, enquanto o João é terreno, humano, limitado ao tempo e ao espaço. Entretanto, João humano, limitado, frágil, que morreu subjugado pela vontade de uma mulher que pediu sua cabeça em uma bandeja, recebeu o a importante missão de "testemunhar" a respeito de Cristo e cumpriu-a com dedicação e retidão, ao ponto de Cristo dizer que "dentre os homens nascidos de mulher, ninguém é maior do que João".
A terminologia própria de um tribunal, empregada pelo evangelista, aponta que a missão de Cristo somente teve crédito porque alguém, digno de crédito, testemunhou a respeito da missão do Messias. No direito judaico e no direito romano, do qual decorre o direito brasileiro, o papel da testemunha é de suma importância, pois ela dá crédito à palavra daquele que está sendo julgado ou mesmo tira-lhe toda a confiança e honradez, atribuindo-lhe a pecha de falsário ou mentiroso.
Deus enviou à frente de Cristo um homem para que desse testemunho a respeito de sua missão e da chegada do Reino dos Céus. Após cumprir seu propósito de manifestar a glória de Deus e provar que Deus enviou sua graça para alcançar o homem, Cristo Jesus deu uma promessa e uma ordem aos seus discípulos: "mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas".
O verdadeiro discípulo de Cristo é uma testemunha que proclama a verdade de Deus, anunciando que Cristo é o único salvador e é a luz do mundo. Lucas mostra que Pedro e Paulo foram testemunhas [Atos 2.40; 20.21] que certificaram sobre a verdade de Deus e por isso levaram muitos a crerem na salvação oferecida por Deus.
É bem verdade que é o Espírito Santo que convence o homem do "pecado, da justiça e do juízo de Deus", porém nós, os simples mortais e pecadores, temos a missão e o ministério de "testemunhas" da obra de Cristo, para que por intermédio desse testemunho os homens creiam que Cristo Jesus é o Deus encarnado que habitou entre nós, foi morto e ressuscitou para a Glória do poder de Deus e por sua morte Ele pode nos dar a salvação de nossas almas. 
Cumpra seu ministério como testemunhas de Cristo e seja você também um joão que anuncia que "Deus enviou Graça" ao homem perdido.
Pr André Luiz Gomes Schröder

domingo, 2 de setembro de 2012

DEUS SE FEZ CONHECER AOS HOMENS!

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, pleno de graça e de verdade;
e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai.  [Jo 1.1,14]

Quando buscamos entender o que o Apóstolo João quis dizer ao declarar que "no princípio era o Verbo", não podemos limitar nosso entendimento ao conceito de que Cristo estava com Deus na fundação do mundo.
O ensinamento de João é mais profundo que a ideia de presença ou existência no momento da criação. Para o judeu, o "verbo" significava mais que uma "palavra", "pensamento" ou "conceito". O "verbo" é a expressão da ação criadora de Deus ou a expressão de revelação de Deus, por meio da sua palavra que rege o mundo e também faz conhecer a vontade de Deus ao homem. Por isso, o "Verbo", para João, é o próprio Deus em ação e em revelação ao homem.
Deus criou o mundo pela "palavra". A ordem de Deus foi suficiente para fazer existir as coisas e também dominar a natureza, pois, a exemplo, Ele disse "haja luz, e houve luz", disse "haja separação entre águas e águas [… e houve] separação entre as águas debaixo do firmamento e as águas sobre o firmamento" [Gen 1.3-7]. Pela mesma palavra Deus também se revelou a Abraão e disse "Eu sou o Deus Todo-Poderoso; anda na minha presença e sê perfeito", assim como Ele transmitiu os mandamentos  a seu povo e lhes ensinou que Ele se alegra com a justiça, a misericórdia, com a compaixão e com o amor.
Quando João diz que "o Verbo se fez carne e habitou entre nós" [Jo 1.14], ele revela que Cristo Jesus personificou a "Palavra de Deus"  sendo então o próprio Deus em ação" para instruir e salvar o homem.
A vida de Cristo não foi apenas dedicada à palavra, ao ensino da vontade Deus para a vida do homem, incluindo como Deus quer congregar seus filhos, as novas criaturas, mas a vida de Cristo foi dedicada ao resgate, com o próprio sangue, daqueles que reconhecem seus pecados e clamam pela compaixão de Cristo, assim como Ele se dedicou a deixar o exemplo  de amor e obediência ao Pai, para que o homem seja santo, separado para Deus, assim como foi ordenado a Abraão. Assim sendo, a vida de Cristo verdadeiramente constituiu a palavra de Deus em ação para dar vida espiritual ao homem, pela vontade de Deus e não do homem, e por isso João testemunha que "a todos quantos o receberam, deus-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus", nascidos pela fé e pela vontade Deus [Jo 12,13].
Em Cristo Jesus Deus agiu em meu e em seu favor e a sua palavra, que nos dá vida em Deus, é luz para que possamos crer e andar nos seus caminhos [Jo 1.7-9; Sal 119.105].
Portanto, Deus nos deu a graça do seu conhecimento pela revelação da sua palavra para a nossa salvação, pelo que devemos andar segundo a palavra da verdade que nos dá vida, Logo, "conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor, como a alva, [pois] a sua vinda é certa; e ele descerá sobre nós como a chuva" [Os. 6.3]. Aleluia!
Pr André Luiz Gomes Schröder

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

CANTAI AO SENHOR UM CÂNTICO NOVO!

Cantai ao Senhor, bendizei o seu nome; 
proclamai a sua salvação, dia após dia. 
[Sal 96.2]

Para o judeu o Templo de Jerusalém, também conhecido como o Templo de Salomão, era o símbolo máximo – visível – da  presença invisível de Deus no meio do povo, por isso, onde quer que estivesse o judeu deveria orar voltado para o Templo, pois considerava-se que aquele era o local exclusivo da morada de Deus, de sacrifício, oferendas, de comunicação com Jeová e de adoração com instrumentos de cordas, de sopro e percussão. 
Após a destruição babilônica do Templo em 587 a.C., seguida do cativeiro e dispersão dos judeus, houve necessidade de criar um local de reunião religiosa dos judeus, chamado de Sinagoga, porém houve a preservação do simbolismo do Templo, mantendo a doutrina salomônica, até a reconstrução do novo Templo, conforme se vê nos atos praticados nos primórdios da Era Cristã,  nos eventos da história de Jesus, tais como o anuncio do nascimento de João Batista, apresentação de Jesus no Templo, purificação do Templo, profecia de Jesus quando entra em Jerusalém e a grande migração nos dias de festas nacionais para as comemorações no Templo.  Tudo revela o zelo especial que Cristo e os judeus tinham pelo Templo e sua liturgia. 
 A sinagoga era o local de reunião – comunhão – julgamento das questões éticas-religiosas e, principalmente, sua função central, a leitura das "Leis e dos Profetas", seguido pelo doutrinamento pelos ensinos rabínicos e pela adoração mediante cânticos de salmos, porém não era um lugar sacrificial, pois os sacrifícios judaicos continuavam centrados no Templo, após sua reconstrução.
Nas sinagogas havia um sentimento de presença especial de Deus, porém somente no Templo havia o "santo dos santos" onde se guardava as Tábuas da Lei, mas na sinagoga havia um lugar especial para o "Livro das Leis e dos Profetas. A sinagoga não substituía o Templo, mas era um espaço próximo do povo onde o acesso era democratizado e produzia uma esfera de comunhão aquecida pelo cântico dos salmos, entoados pelo pequeno grupo que se reunia (em média 25 pessoas). É esse lugar que serviu de inspiração para os locais de reunião dos cristãos que muitas vezes se reuniram nas sinagogas.
Voltamos a repetir que na Sinagoga se praticava a leitura da Lei e a "adoração", mas vale ressaltar que após a destruição do Templo em Jerusalém os rabinos baniram o uso de instrumentos na sinagoga, como uma expressão de lamento e contrição pela destruição do Templo. 
Em I Cor 14.7, Paulo considera os instrumentos musicais como "coisas inanimadas" e em Efésios 5:19,20 incentiva a adoração na forma de "salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em no me de nosso Senhor Jesus Cristo". Daí se interpreta que a música é a exteriorização dos sentimentos do adorador e deve haver o firme propósito em "adorar", pelo que se evidenciava a participação pessoal e não dos instrumentos inanimados.
Hoje é comum encontrar cristãos que substituem seu envolvimento pessoal com a adoração pela participação exclusiva da "equipe de louvor", omitindo-se da expressão de louvor e apenas ouvindo aos outros. Há também casos de apresentação de um "show" instrumental que duram vários minutos em um volume ensurdecedor. Assim, a igreja se afasta de um dos objetivos da criação do homem: o louvor da glória de Deus. Não se deve banir os instrumentos musicais e o grupo que dirige o louvor, mas sim torná-los harmônicos com a participação de verdadeiros adoradores, que adorem em espírito e verdade, tendo da certeza de que Cristo Jesus se faz presente em sua Igreja, conforme sua promessa.
Não poderíamos deixar de falar no outro objetivo da sinagoga: "leitura da Lei". A igreja não deve olvidar a leitura da "palavra de Deus", ou patrocinar uma leitura de desencargo de consciência, lendo uma "rápida passagem" com uma meditação na mesma proporção. Assim agindo, a igreja se transforma em "creches espirituais" de eternas crianças espirituais.
Estes objetivos devem ser preservados, pois são essências da "igreja", portanto, cantemos, de todo coração e alma, um cântico novo ao Senhor!
Pr André Luiz Gomes Schröder

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O CAMINHAR PELA PREPARAÇÃO DO EVANGELHO DA PAZ




Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz.[Ef. 6.15]




Se você consultar um comentário bíblico para melhor compreender o versículo em referência, provavelmente irá encontrar uma explicação voltada para a necessidade de se equipar “com o evangelho da paz como sandálias, sugerindo que seus movimentos são guiados pela necessidade do testemunho do evangelho” [Comentário bíblico NVI, p. 1998], “a fim de propagar as boas-novas de Cristo que trazem paz suprema ao mundo” [Comentário bíblico africano, p. 1473], pois usualmente os comentarista faz a “relação deste evangelho com os pés, [o que] pode parecer estranha, mas esta ilustração se encontra em Is 52.7 e Is 10.15”, conforme ensina F.F. Bruce [O novo comentário da Bíblia, p. 2136], de modo que esta é a interpretação majoritária e predominante, que o cristão deve estar preparado para ir e pregar o evangelho da paz.


Quando olhamos o início da seção em que Paulo faz o chamamento para nos revestirmos com a armadura de Deus, ele justifica dizendo que é para que possamos “estar firmes contra as astutas ciladas do diabo” [Ef. 6.10] e para que possamos “resistir no dia mal, e, havendo feito tudo, ficar firmes” [v. 13]. Parece-nos que o objetivo principal da armadura cristã é resistir às ciladas do diabo, para que o Cristão seja vitorioso em Cristo Jesus.


Quero lhe propor um olhar diferente da maioria dos teólogos quanto à preparação adequada dos pés. Quando olhamos para o texto grego, ao aconselhar a “preparação” com o evangelho, o apóstolo Paulo diz hetoimasia, que faz referência não só ao “ato de preparar”, mas também à “condição de uma pessoa ou coisa de estar pronta ou preparada”. Assim sendo, a preparação com o evangelho da paz, recomendada por Paulo, equivale a estar pronto ou preparado com [ou pelo] evangelho da paz.


Cristo Jesus, ao concluir o Sermão do Monte, disse que quem ouve e pratica as suas palavras [Mat. 7.24], as palavras do evangelho que reconcilia o homem com Deus [Rm 5.9-11], é considerado um homem prudente e capaz de resistir às intempéries espirituais ou as ciladas do diabo, pois está firme na rocha pela experimentação, pelo viver diário na presença de Cristo, e já confirmou sua condição de filho de Deus, por isso não é levado por ventos de doutrina, não se assusta  ou se ressente com as provações, pois confia em quem ele crê e conhece o amor de Cristo e pode sentir o consolo do Espírito Santo da promessa.


Cristo apontou que o cristão vencedor, que resiste no dia mal, é o cristão que ouve e pratica o evangelho que reconcilia o homem com Deus dando-lhe a paz, portanto, calçar os pés com a preparação do evangelho da paz, não é somente conhecer sua mensagem, assim como não é somente anunciar o evangelho, mas assevero que calçar os pés com a preparação do evangelho da paz é andar diariamente praticando-o. É viver, conforme Paulo disse aos filipenses: “vivei, acima de tudo, por modo digno do evangelho de Cristo” [1.27]. 


A preparação do evangelho da paz deve resultar em prontidão e preparo para resistir às ciladas do diabo. Prontidão pelo conhecimento e domínio do evangelho para não ser enganado pelas artimanhas e falácias do maligno e preparo pela prática diária dos ensinos do mestre Jesus, pois darão comunhão com Deus, resultando em fidelidade a Ele.


Pr André Luiz Gomes Schröder

sábado, 11 de agosto de 2012

ALCANÇANDO A PRONTIDÃO PELA ORAÇÃO












Façam tudo isso orando a Deus e pedindo a ajuda dele. Orem sempre, guiados pelo Espírito de Deus. Fiquem alertas. Não desanimem e orem sempre por todo o povo de Deus. [Ef 6.18 – NTLH]













Paulo, na Carta aos Efésios 6.10-17, instrui os cristãos a tornarem-se "cada vez mais fortes, vivendo unidos com o Senhor e recebendo a força do seu grande poder", tomando para si e fazendo uso de toda a armadura de Deus, a fim de resistir contra todas as ciladas do Diabo e, no dia mau ou no dia do mais forte ataque do nosso opositor, permanecer firme e inabalável. 


Após a maravilhosa revelação do plano de guerra paulino, o qual conta com as armas disponibilizadas por Deus, o apóstolo Paulo entrega a segunda parte do seu manual de instruções e revela seu plano de uso em conformidade com o cristianismo.


O alerta de Paulo nos faz pensar sobre sua inspiração, a luta romana. Um exército que esteja com todas as suas armas e equipamentos jamais estará pronto para guerra se não estiver habilitado, em constante treinamento e vigilante, de prontidão, pronto para entrar em combate na hora do ataque.


A luta, o combate do cristão é um combate defensivo, no qual ele deve estar atento e alerta para não cair nas ciladas e artimanhas do Diabo, o que exige preparo e prontidão, porém tal combate não é somente defensivo, mas também requer ataque, pois Cristo espera que as portas do inferno não prevaleçam, não subsistam diante do avanço da Igreja do Senhor Jesus Cristo e por isso Ele mostrou para os discípulos que para enfrentar uma casta de espíritos é necessário oração e jejum [Mat 17.21 Mas esta casta de demônios não se expulsa senão pela oração e pelo jejum].


Sabemos que nosso inimigo é audaz, astuto e poderoso e por isso devemos nos preparar para enfrentá-lo, bem como devemos permanecer alertas para que ninguém seja pego despreparado e assim não haja surpresas, vindo a sucumbir. Por esta razão, Paulo nos ensina que devemos a armadura do cristão deve ser acompanhada de treinamento na presença de Deus, auxiliado e guiado a todo tempo pelo Espírito. O nível de treinamento e prontidão deve ser alto e é revelado pela oração [Marcos 14:38  Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca]. 


Assim como o atleta se prepara para a competição e alcança a boa forma pelo treinamento, o cristão se prepara para a guerra espiritual com a oração sem a qual não há condicionamento, não há vigília, não há preparo e não há guerra, pois houve deserção das fileiras do exército do Senhor Jesus Cristo.


Orai sem cessar [1 Tes 5.17].


Pr André Luiz Gomes Schröder

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

CEIA DO SENHOR

Um ritual de tristeza ou alegria? 

Quando o Senhor Jesus Cristo nos ensinou a celebrar a Ceia do Senhor, estabeleceu um rito memorial que apontou para sua morte, porém o fez dando graças a Deus, pois a vontade de Deus foi manifesta. Ele rendeu graças mesmo sabendo que seu desejo humano era de não enfrentar o calvário, que não poderia contar com a ajuda de seus amigos e que enfrentaria sozinho o sofrimento, o desprezo, a agonia física e moral e a morte. Em meio a tanto sofrimento que se aproximava, Cristo Jesus encontrou razão para dar graças.
Aos olhos humanos não encontramos motivos para Jesus dar graças a Deus, pois à sua frente estava o terror e a morte, porém pelos olhos do Espírito Santo de Deus é que podemos entender a atitude de Jesus, pois a vontade de Deus estava sendo cumprida, pois Deus colocou em sua conta os pecados de todos aqueles que se voltassem para Deus, e era necessário que Cristo pagasse um preço muito alto por esses pecados. Cristo pagou os nossos pecados com seu o sangue. Ele amou mais a soberania do Pai Eterno do que a sua própria vida.
Não havia motivos para Cristo gloriar-se no sofrimento, mas havia motivos para Cristo gloriar-se no cumprimento da vontade de Deus. É por isso que o sofrimento de Cristo não foi deprimente mas deu lugar ao louvor, à ação de graças, pois ele tinha em vista a soberania de Deus, o resgate de muitos e sobretudo o amor de Deus pelos homens.
Deus quer que possamos render-lhe graças [ Ts 5:18 "Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco"], porém muitos cristãos não encontram motivos para reder graças a Deus, pois seus olhos estão fixos nas tribulações deste mundo e amam mais suas vidas do que a vontade do Pai.
O fato de Cristo Jesus ter morrido em uma cruz, dando-nos vida eterna em razão do resgate pela substituição que ele fez em nosso lugar, é suficiente para nós rendermos graças ao nosso Deus. Isso é suficiente para que o culto em que celebramos a Ceia do Senhor seja um culto de louvor e gratidão a Deus. Porém, devemos olhar para as nossas vidas e, como o salmista Asafe, no Sal 77.11, nos  lembrarmos dos grandes feitos e milagres já realizados por Deus para que, continuamente, possamos render graças ao Senhor.
Alegremo-nos hoje! Ainda que haja aflição em nossos corações, alegremo-nos no Senhor, pois Ele tem feito maravilhas e seu amor é grande para conosco, pois "Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores" [Rom 5.8],  e ele é digno de honra e louvor.
Louvai ao Senhor!

Pr André Luiz Gomes Schröder

domingo, 29 de julho de 2012

AMIGOS ANDAM PELO MESMO CAMINHO

Ao longo de nossa vida desenvolvemos diversos tipos de relacionamentos, sendo que alguns são mais significativos que outros, por isso, há aqueles que são amigos  casuais, os quais cumprimentamos pelo nome e chamamos de colegas, outros são mais chegados, temos interesses em comum, até mesmo pedimos suas opiniões e chamamos de amigos. Há ainda aqueles que nascem nos momentos de angústia, dos quais buscamos consolo, valorizamos suas opiniões, andamos pelos seus conselhos  e a esse chamamos até mesmo de irmãos [Prov 17.17], pois eles estão dispostos a nos ajudar nas adversidades assim como estão dispostos a manter a amizade mesmo que tenham sido magoados, o que lhes dá liberdade criticar e corrigir, assim como ensinar, encorajar e dar ânimo.

Deus nos ensina a amar ao nosso próximo como a nós mesmos, e assim fazendo estaremos cumprindo toda a lei de Deus [Gálatas 5:14]. O amor ao próximo nos leva às amizades mais sinceras e gratificantes que podemos cultivar e o sábio Salomão nos ensinou que “o homem que tem amigos deve mostrar-se amigável” [Prov. 18.24]. Mostrar-se amigável é mostrar-se disposto a cultivar a amizade.


O grau de influência entre os amigos é grande, portanto, os caminhos que nossos amigos trilham devem ser, verdadeiramente, os caminhos que almejamos trilhar, pois a Bíblia diz que “todo caminho do homem é reto aos seus próprios olhos” [Prov. 21.2], porém somos advertidos para que não tenhamos inveja dos pecadores, daqueles que praticam a injustiça, mas que possamos almejar trilhar os caminhos estabelecidos por Deus [Prov. 23.17], pois nisto está a sabedoria.


Se os amigos são aqueles que caminham ao nosso lado, possuem os mesmos objetivos, compartilham os mesmos sentimentos, então as amizades que nos conduzem pelo bom caminho devem ser reavivadas constantemente. As arestas devem ser aparadas e o gozo e a alegria do companheirismo deve ser restaurado, pois amigo é aquele que estende a mão ao seu companheiro, e diz: Esforça-te [Isaías 41.6].


Amigos, andemos juntos em busca justiça, do juízo, da graça e do amor de Deus.



Filho meu, se aceitares as minhas palavras, e esconderes contigo os meus
mandamentos, para fazeres atento à sabedoria o teu ouvido, e para
inclinares o teu coração ao entendimento, e se clamares por
entendimento, e por inteligência alçares a tua voz, Se como a prata a
buscares e como a tesouros escondidos a procurares, então entenderás o
temor do Senhor, e acharás o conhecimento de Deus. Porque o Senhor dá a
sabedoria: da sua boca vem o conhecimento e o entendimento. Ele reserva a
verdadeira sabedoria para os retos: escudo é para os que caminham na
sinceridade. Para que guarde as veredas do juízo: e conserve o caminho
dos seus santos. Então entenderás justiça, e juízo, e equidades, e todas
as boas veredas. Porquanto a sabedoria entrará no teu coração, e o
conhecimento será suave à tua alma. [Provérbios 2.1-10]






Pr André Luiz Gomes Schröder

quinta-feira, 19 de julho de 2012

VOCÊ É MEU CONVIDADO ESPECIAL




A JUSTIÇA DE CRISTO ME DESOBRIGA DAS OBRAS DE JUSTIÇA?



Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, 
para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
 [...]  Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras 
sejam manifestas, porque são feitas em Deus.[Jo 3:16, 21]

Conforme registrou o apóstolo João, Deus "deu o seu Filho" e o resultado foi a morte de Cristo em uma cruz, em substituição a todo aquele que crê. Para haver essa substituição, cada pecado praticado pelos homens foi imputado a Cristo. 
Imputar algo a uma pessoa significa atribuir esse algo a ela. A Bíblia faz referência a casos em que Deus "imputa pecado" a alguém, o que significa que Deus considera o tal como pecador e em consequência, culpável e merecedor de castigo.  Quando os teólogos dizem que nossos pecados foram imputados a Cristo, querem dizer que os pecados dos homens foram atribuídos a Cristo, sendo ele agora o devedor. Logo, Deus deu seu filho para ser culpado em nosso lugar, daí, é ele quem deve pagá-los. Ao mesmo tempo, quando a bíblia diz que foi "imputada justiça" a uma pessoa, o significado é que Deus considera judicialmente tal pessoa como justa e merecedora de todas as recompensas a que tem direito a pessoa justa (Rm 4.6-1 1).
A imputação de "justo" aos homens, somente é possível quando ele crê que Cristo  sofreu e morreu na cruz (1 Pedro 2.24; 2 Coríntios 5.21). Cristo foi feito legalmente responsável pelos pecados de todos que creem que o castigo que ele sofreu e a sua morte, corresponderam ao castigo que eu mereço pelos meus pecados. O sacrifício de Cristo pagou a minha "pena de morte" que recebi em condenação pelos pecados que pratiquei, logo, já não há mais condenação a ser paga e assim já sou justificado perante Deus. Aleluia!
Por ter morrido em meu lugar, Cristo não deixou de ser santo. A imputação dos pecados não fez de Cristo um pecador. Seu caráter não foi afetado. Sua vida continuou imaculada e ele foi apresentado a Deus em santidade e irrepreensível e somente assim o pagamento foi aceito e ao pecador que nele crê foi imputado justiça.
Ocorre que assim como a imputação de pecado não mudou a natureza de Cristo, o qual permaneceu santo, a imputação de justiça também não muda a natureza do homem, o qual permanece pecador neste mundo. A mudança é na situação jurídica e não na natureza. É por isso que Paulo nos diz que a vontade de Deus é ver a nossa santificação deixando de lado todo pecado [1Ts 4.3], pelo que nos chama para que  "purifiquemo-nos de toda a imundícia da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de Deus [2 Co 7:1].
Agora, portanto, se estou justificado perante Deus, devo andar dignamente daquele que me redimiu e me chamou para a vida eterna, assim como devo ter o cuidado de não confundir a justiça imputada (a qual recebemos pela fé e que é a única base de justificação) com os atos pessoais de justiça (santidade), realizados como resultado da obra do Espírito Santo em meu coração, pois minha salvação é pela graça e não pelas obras, mas sou constrangido, pelo sacrifício de Cristo, a andar sempre na luz, praticando obras de justiça segundo a verdade das palavras de Cristo e dos caminhos reparados para os filhos de Deus em Cristo Jesus, para que sejam testemunhas do amor de Deus.
Pr André Luiz Gomes Schroder

quarta-feira, 4 de julho de 2012

O PRÍNCIPE DESTE MUNDO DEVE SER EXPULSO. COMO?


[Disse Jesus]:

Pai, glorifica o teu nome. Então veio uma voz do céu que dizia: 


Já o tenho glorificado, e outra vez o glorificarei [...]

Respondeu Jesus, e disse: [...]  


Agora é o juízo deste mundo: agora será expulso o príncipe deste mundo.


[Jo 12.27-31]






Ao se aproximar da hora em que Cristo seria crucificado e falando a  seus discípulos, ele se mostrou preocupado com aquele grupo de crentes ainda fracos, por não terem certeza quanto às coisas futuras, e em suas palavras de encorajamento Cristo lhes prometeu a sua paz e disse que ela não é como a paz oferecida pelo mundo [Jo.14.27].




Não podemos olhar essa promessa sem ver seu contexto, pois no versículo imediatamente anterior ao 27 nos fala do Espírito Santo que seria enviado [v.26], o qual tem a função de instruir e também de consolar os cristãos. 




Ligando uma promessa à outra, entendemos que a paz de Cristo está no consolo do Espírito Santo. Ele é quem faz morada nos filhos de Deus e também se põe de pé, ao lado do cristão, para auxiliá-lo e confortá-lo, dar-lhe paz.




Voltando ao texto, percebemos que os versículos 23 a 25 nos fala em que condições Deus faz morada em um ser humano fraco e pecador. Categoricamente Cristo disse que "se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada". 




[Aleluia! O alto, sublime e eterno Deus habita na pequena e frágil criatura que guarda as suas palavras! Maranata! Ò Deus, faça a sua vontade em minha vida! Guia-me pelas veredas da justiça e que eu seja uma testemunha viva das suas promessas].




Percebemos então que é o amor a Deus que faz o coração do homem se abrir para que o Espírito de Deus habite nele, e também é esse amor que nos transporta do reino das trevas para o reino da luz, tornando o caminho do reino do céus e o caminho do "príncipe deste mundo" antagônicos e sem qualquer conciliação.




O amor a Deus, motivado pelo reconhecimento do sacrifício de Cristo, nos faz afastar das ilusões do príncipe deste mundo, que é Satanás, pois quando somos atraídos pelo amor de Deus, reconhecemos que é necessário expulsar de nossas vidas o "príncipe deste mundo", afinal, ele nada tem a ver com o reino de Deus, conforme Cristo declarou [Jo.14.30]. Nestas palavras encontramos uma expressão idiomática judaica que expressa que Satanás não pode controlar Jesus, não pode exigir coisa alguma, pois ele não pode acusá-lo de qualquer falta.




O apóstolo Paulo nos adverte para não dar lugar ao Diabo [Ef. 4.27] e também não entristecer o Espírito Santo de Deus que habita em nós [v.30] , para tanto, devemos fugir do engano do príncipe deste mundo e praticar as obras do Espírito [Ef. 4, 5 e 6]. 




Agindo assim o príncipe deste mundo não terá lugar em sua vida e você poderá sentir a alegria e paz que Cristo dá a todo aquele que ouve e pratica as palavras da verdade.

Sujeitai-vos pois a Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós [Tiago 4.7].




Pr André Schroder

segunda-feira, 25 de junho de 2012

O PECADO E A GLÓRIA DE CRISTO

D. M. Lloyd-Jones
 
Fiel é a palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal. I Timóteo 1.15
 
"Ninguém jamais terá uma concepção verdadeira do ensino bíblico sobre a redenção, se não possuir clareza de entendimento sobre a doutrina bíblica do pecado. E essa é a razão por que muitas pessoas, em nossos dias, são inseguras e vagas em suas idéias a respeito da redenção. A ideia mais comum é a de que o Senhor Jesus é um tipo de amigo ao qual todos podem recorrer em dificuldades, como se isso fosse tudo a respeito dEle. O Senhor Jesus é esse tipo de amigo - e temos de agradecer a Deus! Mas isso não é redenção em todo o seu escopo, em sua inteireza ou em sua essência. Você não pode começar a avaliar a redenção, até que compreenda o que a Bíblia nos ensina a respeito da condição do homem no pecado e de todos os efeitos do pecado no homem. Permita-me dizê-lo com outras palavras: você não pode entender a doutrina da encarnação de Cristo, a menos que entenda a doutrina do pecado. 
 A Bíblia nos ensina que o homem estava em uma condição tão deplorável, que exigia a vinda, dos céus à terra, da Segunda Pessoa da bendita e santíssima Trindade. Ele teve de humilhar-se e assumir a natureza humana, nascendo como um bebê. Isso era absolutamente essencial, para que o homem fosse redimido. Por quê? Por causa do pecado e da sua natureza. Por conseguinte, você não pode entender a encarnação de Jesus, a menos que tenha um entendimento claro sobre o pecado. De maneira semelhante, considere a cruz no monte Calvário. O que ela significa? O que a cruz nos diz? O que aconteceu lá? Digo novamente que você não pode entender a morte de nosso Senhor e o que Ele fez na cruz, se não possui um entendimento claro sobre a doutrina do pecado. A completa imprecisão das ideias de muitas pessoas a respeito da morte de nosso Salvador se deve completamente a este fato: e elas não gostam da doutrina da substituição, não gostam da doutrina do sofrimento penal. Isso acontece porque nunca compreenderam o problema e não veem o homem como um criatura caída no pecado. Estas são as doutrinas fundamentais da fé cristã; não se pode entender a redenção, exceto à luz da terrível condição do homem no pecado". 


M. Lloyd-Jones é um dos maiores e mais influentes escritores evangélicos da atualidade. Apresentamos seu texto para que você reflita sobre a importância de estudar as doutrinas bíblicas. A doutrina do pecado está, sinteticamente, exposta abaixo. Leia todos os textos bíblicos das referências, com certeza contribuirá para que você se encha  do conhecimento da verdade, pois esta é a vontade de Deus, nosso Salvador [I Tim 2.4] . 

O Pecado
  1. No princípio o homem vivia em estado de inocência e mantinha perfeita comunhão com Deus [Gên. 2:15-17; 3:8-10; Ecl. 7:29].
  2. Mas, cedendo à tentação de Satanás, num ato livre de desobediência contra seu Criador, o homem caiu no pecado e assim perdeu a comunhão com Deus e dele ficou separado [Gên. 3; Rom. 5:12-19; Ef. 2:12; Rom. 3:23].
  3. Em conseqüência da queda de nossos primeiros pais, todos somos, por natureza, pecadores e inclinados à prática do mal [Gên. 3:12; Rom. 5:12; Sal. 51:15; Is. 53:6; Jer. 17:5; Rom. 1:18-27; 3:10-19; 7:14-25; Gál. 3:22; Ef. 2:1-3].
  4. Todo pecado é cometido contra Deus, sua pessoa, sua vontade e sua lei [Sal. 51:4; Mat. 6:14; Rom. 8:7-22].
  5. Mas o mal praticado pelo homem atinge também o seu próximo [Mat. 6:14,15; 18:21-35; I Cor. 8:12; Tiago. 5:16].
  6. O pecado maior consiste em não crer na pessoa de Jesus Cristo, o Filho de Deus, como salvador pessoal [João. 3:36; 16:9; I João 5:10-12].
  7. Como resultado do pecado, da incredulidade e da desobediência do homem contra Deus, ele está sujeito à morte e à condenação eterna, além de se tornar inimigo do próximo e da própria criação de Deus [Rom. 5:12-19; 6:23; Ef. 2:5; Gên. 3:18; Rom. 8:22].
  8. Separado de Deus, o homem é absolutamente incapaz de salvar-se a si mesmo e assim depende da graça de Deus para ser salvo [Rom.3:20; Gál.3:10,11; Ef. 2:8,9].

quarta-feira, 13 de junho de 2012

POSSO MINISTRAR GRAÇA AO MEU IRMÃO?






Não saia de vossa boca nenhuma palavra torpe; e sim unicamente a que
for boa para edificação, para que ministre graça aos ouvintes. [Ef. 4.29]










Recentemente, durante o tratamento das queimaduras que sofri, fui orientado pelos médicos, fisioterapeutas e nutricionista, sobre o que fazer para regenerar a pele. Foram várias as orientações de cuidados e condutas a serem adotadas. 


Enquanto estive no hospital, vi pessoas que não se cuidaram adequadamente dos ferimentos e que sofriam com a demora da regeneração ou mesmo com marcas da conduta inadequada.


A vida do cristão é uma vida de regeneração, santificação e transformação pelo caminhar segundo os padrões de Deus, afastando-se da natureza do velho homem. Na Epístola aos Efésios Paulo convoca os cristãos à santificação dizendo-lhes "rogo-vos […] que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados" (4.1). 


A conduta de andar de modo digno, é semelhante à conduta de seguir fielmente as prescrições médicas para alcançar a regeneração de uma ferida aberta. Somente a conduta correta e favorável será capaz de contribuir com o processo de regeneração e qualquer conduta contrária ou tida como prejudicial poderá retardar ou até mesmo impedir o processo de regeneração.


Assim, quando o cristão ouve o chamamento de Deus para que seja santo, porque Ele é Santo (Lv. 11.44), deverá buscar e executar as condutas compatíveis com a santificação, deverá, portanto,  ter um caminhar em conformidade com a vocação do cristão, em santidade, separado para a glória de Deus.


Uma das condutas para se ter uma caminhar digno ou compatível com a condição de cristão é registrado em Efésios 2.29, onde Paulo nos exorta para extinguir qualquer palavra torpe que possa haver em nosso linguajar. 


A palavra traduzida como torpe também indica aquilo que é podre ou que está estragado. Portanto, o cristão deve evitar todo e qualquer linguajar vulgar, indecoroso, maculado pela mentira, de obscenidade, imoralidade, sensualidade, de excitamento erótico que leva à luxúria, ou qualquer outra palavra que leve à depravação moral, distorção dos bons costumes ou induzimento ao erro, de maledicência ou ainda de desconformidade com os padrões éticos e morais.


Voltando para o texto, vemos que a palavra de um cristão deve ser edificante. Edificação nos dá a ideia de construção,  de benfeitorias, de progresso e de prosperidade. Dai, Como poderá o cristão edificar seu ouvinte? 


A edificação vem com a palavra que orienta, conforta, exorta, admoesta e auxilia o próximo a trilhar o caminho traçado por Deus para levar ao reino eterno, o qual é o caminho da graça salvadora, da graça justificadora, da graça consoladora e da graça santificadora.


Assim, é com palavras de edificação que o cristão se torna um dispenseiro da graça de Deus, porém jamais podemos esquecer que "a boca fala daquilo que o coração está cheio" [Mat. 12.34], portanto, devemos nos encher da graça e da santidade de Deus para que possamos edificar nossos irmãos e assim transmitir-lhes a graça de Deus.



Pr  André Luiz Gomes Schröder.